Direita avança no Congresso e PL terá maior bancada da Câmara e do Senado a partir de 2027
As eleições de 2026 redesenharam a correlação de forças no Congresso Nacional. O PL elegeu 121 deputados federais e terá 28 senadores na próxima legislatura, tornando-se simultaneamente a maior bancada partidária da Câmara e do Senado. No Senado, trata-se da maior bancada de um único partido no início de uma legislatura desde a redemocratização.
Na Câmara, o PL elegeu 121 dos 513 deputados, o equivalente a 23,6% da Casa. Em 2022, haviam sido 99 eleitos pela legenda, número posteriormente ajustado para 97 na comparação utilizada pela Câmara. O PT aparece na sequência, com 70 deputados. O União Brasil terá 46, o PSD ficará com 43, enquanto PP e Republicanos elegeram 41 cada. O MDB terá 36 deputados e o Podemos, 27. Mais atrás aparecem PSB, com 15, PSOL, com 14, PCdoB e PSDB, com 11 cada, e Novo, com 10. Apesar do avanço, o PL não controla sozinho a Câmara: para aprovar projetos de lei ordinária precisará construir maiorias, e uma PEC exige ao menos 308 votos, ou três quintos dos deputados, em dois turnos.
No Senado, a mudança foi mais profunda. Das 54 cadeiras em disputa, o PL conquistou 19. Com nove senadores eleitos anteriormente que continuarão com mandato, a legenda chegará a 2027 com 28 dos 81 integrantes da Casa. Um levantamento do Intercept Brasil que agrupa PL, PP, Republicanos e Novo no campo da direita e extrema-direita contabiliza 43 senadores a partir de 2027 — 27 eleitos neste ano somados a 16 parlamentares cujos mandatos continuam. O grupo ultrapassa a metade das 81 cadeiras, e a maioria absoluta é alcançada com 41 votos.
A nova composição fortalece grupos que fizeram das mudanças constitucionais e do confronto com o Supremo Tribunal Federal algumas de suas principais bandeiras eleitorais. Cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, e parlamentares ligados ao bolsonarismo fizeram campanha prometendo avançar com pedidos contra integrantes da Corte. Uma condenação, porém, exige dois terços do Senado, ou 54 votos — 11 a mais do que os 43 senadores do bloco conservador, o que exigiria apoio de outras legendas. A eleição para a presidência da Casa, em fevereiro de 2027, é apontada como um dos primeiros grandes testes da nova correlação de forças.
Enquanto o PL avançou, a esquerda não registrou crescimento equivalente. O PT elegeu 70 deputados federais, permanecendo como a segunda maior bancada isolada da Câmara. No Senado, segundo o levantamento do Intercept, apenas seis das 54 cadeiras disputadas foram conquistadas pelo campo classificado como esquerda, todas pelo PT, sendo cinco do Nordeste. Como senadores têm mandato de oito anos, boa parte da composição escolhida em 2026 permanecerá no Congresso até 2035. A Câmara eleita terá representantes de 20 partidos, ante 30 em 2018.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar