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Brasil registra maior abstenção eleitoral em 28 anos, com 33,4 milhões fora das urnas

Atualizado em 07/10/2026 às 13:20 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno da eleição presidencial de 2026. Com 100% das seções totalizadas, 33.469.244 eleitores deixaram de votar no domingo (4), o equivalente a 21,08% dos 158,7 milhões de aptos. É o maior percentual de abstenção em uma eleição geral desde 1998, quando 21,49% do eleitorado ficou fora das urnas.

A dimensão do fenômeno aparece na comparação com o resultado da disputa. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança, com 56.104.503 votos, ou 47,03% dos votos válidos. Lula (PT) recebeu 53.879.538 votos, equivalentes a 45,16%. A diferença foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual — a menor distância entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização. O número de ausentes foi cerca de 15 vezes maior que essa vantagem.

O contingente que não escolheu nenhum candidato é ainda maior quando se somam brancos e nulos: foram 2.300.798 votos em branco e 3.674.249 nulos, quase 6 milhões de eleitores que compareceram, mas não deram voto válido a nenhum candidato à Presidência. Somando ausentes, brancos e nulos, quase 40 milhões de brasileiros aptos não escolheram nenhum dos concorrentes. Brancos e nulos não entram no cálculo dos votos válidos e não são transferidos para nenhum candidato.

A abstenção não se distribui de forma uniforme. Segundo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, a ausência em 2026 chegou a aproximadamente 50% entre eleitores com mais de 70 anos, faixa em que o voto é facultativo. Entre os jovens de 16 e 17 anos, também com voto facultativo, ficou em torno de 20%. Nunes Marques afirmou que o TSE pretende intensificar ações para aumentar o comparecimento no segundo turno, marcado para 25 de outubro. "Não é o ideal uma abstenção de 20%", declarou.

Para a Justiça Eleitoral, cada turno é considerado uma eleição independente: quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, mediante justificativa ou regularização posterior da situação eleitoral. Com a disputa decidida por margem de 1,87 ponto, as duas campanhas passam a mirar também os pouco mais de 9,3 milhões de votos depositados nos demais candidatos e os milhões de ausentes. Uma redução da abstenção de apenas dois pontos percentuais representaria potencialmente mais de 3 milhões de eleitores retornando às urnas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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