Dino autoriza relatórios do Coaf em investigação sobre produtora de ‘Dark Horse’
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a produção de relatórios financeiros pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a produtora Karina da Gama e sobre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por ela. A decisão foi tomada no mesmo ato que retirou o sigilo da investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o filme “Dark Horse”, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as apurações, a Polícia Civil paulista solicitava a quebra do sigilo financeiro desde maio, mas os pedidos não haviam sido autorizados pela Justiça de São Paulo. As informações sobre Karina e o ICB passaram a ser pedidas em junho de 2024, quando a entidade firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de WiFi livre em comunidades de baixa renda da capital. A investigação trabalha com a suspeita de que recursos públicos tenham sido desviados para a produção do longa-metragem.
Em decisão do fim de agosto, o juiz Nelson Augusto Bernardes entendeu que, para autorizar os relatórios, eram necessárias mais informações sobre o objeto da investigação. A polícia prestou os esclarecimentos, mas a Justiça paulista não voltou a analisar o pedido. Neste domingo, 13, a produção dos relatórios foi autorizada por Dino.
O Coaf já havia elaborado relatórios de inteligência sobre Karina da Gama no âmbito de uma investigação da Polícia Federal que apura o desvio de recursos públicos para a produção de “Dark Horse”. Com a decisão do ministro do STF, esses dados poderão ser compartilhados com o inquérito conduzido pela polícia paulista.
Em nota, a defesa de Karina da Gama afirmou receber a decisão sobre a quebra do sigilo “com absoluto respeito”. “A transparência interessa à Justiça, à sociedade e, sobretudo, à própria defesa”, declarou o advogado Ricardo Sayeg, que representa a produtora. A defesa sustenta que Karina não cometeu nenhum ilícito.
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