Deepfake decide eleição? O que revelam 6 exemplos de outros países
Deepfake de candidata na Irlanda é um dos casos que acendem alerta para eleições no Brasil
Faltando poucos dias para o início oficial da campanha eleitoral no Brasil, o uso de inteligência artificial (IA) para produzir conteúdos falsos — os chamados deepfakes — volta a preocupar autoridades e pesquisadores. Na quinta-feira (13), ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiaram uma reunião para discutir a punição pelo uso de IA nas eleições. O caso em análise envolve a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que utilizou um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gerado por IA durante a convenção partidária que oficializou sua candidatura. Ainda não há nova data para o encontro.
Pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança (CETaS), do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, Sam Stockwell estudou casos recentes de uso de IA em campanhas eleitorais. Para ele, não há evidências conclusivas de que essas ferramentas tenham alterado profundamente o resultado de qualquer eleição. O perigo, segundo o pesquisador, está no efeito sutil de corroer a confiança nas instituições e na informação, além de inflamar divisões políticas e a polarização.
Um dos exemplos mais citados ocorreu na Irlanda, em outubro de 2025. Três dias antes da votação para presidente, um vídeo falso imitando uma transmissão da RTÉ News, principal emissora do país, mostrava a candidata Catherine Connolly anunciando sua desistência da corrida. A campanha de Connolly desmentiu o conteúdo e pediu a remoção das plataformas. Apesar do deepfake, ela venceu a eleição com 63% dos votos. O caso é visto como preocupante por ter usado a credibilidade de uma instituição nacional para tornar o conteúdo mais convincente.
No Equador, deepfakes simulando canais de TV como CNN e France 24 circularam antes das eleições presidenciais de fevereiro de 2025. Os vídeos envolviam candidatos em escândalos falsos e alegações de fraude. Em um deles, uma versão criada por IA da candidata Luisa González dizia que implementaria um aumento drástico de impostos se eleita. Outro a mostrava elogiando o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Os conteúdos foram desmentidos, mas um estudo da Universidade Laica Eloy Alfaro de Manabí apontou impactos na percepção do público e uma desconfiança generalizada em relação aos canais de verificação.
Na Alemanha, durante a campanha para o Parlamento em fevereiro de 2025, circularam vídeos com alertas falsos sobre ameaças terroristas, cédulas envenenadas e ataques a centros de votação. As postagens usavam imagens reais de instituições como polícias e universidades, mas com narração gerada por IA. Uma delas, compartilhada no X, editava um vídeo do serviço de inteligência britânico MI6 para sugerir um alerta de viagem à Alemanha. Outra, com mais de 60 mil visualizações, afirmava falsamente que 68% dos alemães tinham medo de sair de casa no dia da votação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar