De US$ 30 mil a cidadania em 4 anos: por que ninguém compra o visto brasileiro?
O Brasil lidera a entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) na América Latina, mas está longe do topo quando o assunto é atrair estrangeiros por meio de programas de residência por investimento. É o que aponta o relatório “Programas de Migração por Investimento na América Latina: Uma Análise Comparativa”, elaborado pela consultoria internacional Global Citizen Solutions.
O estudo avaliou 11 programas ativos na região com base em critérios como velocidade de processamento, atratividade fiscal, flexibilidade dos investimentos exigidos e liberdade de permanência. O Panamá lidera o ranking, seguido por Paraguai e República Dominicana. Costa Rica, Equador e Uruguai também aparecem à frente do Brasil. A diferença sugere que o poder de atração brasileiro segue muito mais ligado ao tamanho e às oportunidades da economia do que à competitividade do programa migratório.
Apesar da posição no ranking, a análise aponta que o país oferece condições relativamente acessíveis. Há caminhos vinculados a investimentos em inovação e tecnologia a partir de cerca de US$ 30 mil, constituição de empresas a partir de US$ 100 mil e aquisição imobiliária a partir de aproximadamente US$ 125 mil. As exigências variam conforme a modalidade e estão sujeitas às regras migratórias brasileiras, portanto os valores não devem ser interpretados como compra automática de residência ou cidadania.
Outra vantagem é a exigência reduzida de presença física: a residência temporária requer 30 dias de permanência por ano, abaixo dos 180 dias exigidos por países como Colômbia e Chile. O processo de naturalização também está entre os mais rápidos da região, com possibilidade de cidadania em quatro anos, ou em três anos para determinados investimentos imobiliários acima de US$ 200 mil. Mesmo assim, a modalidade de residência por investimento imobiliário atraiu menos de 700 candidatos nos últimos cinco anos. Para a consultoria, a distância entre regras favoráveis e baixa procura decorre principalmente da pouca divulgação internacional do programa e da menor presença de consultorias especializadas promovendo o Brasil como destino de mobilidade global.
O estudo ocorre em meio à restrição de programas tradicionais na Europa. A Espanha encerrou seu golden visa em abril de 2025, Portugal retirou a aquisição direta de imóveis das opções elegíveis e a Grécia elevou para até 800 mil euros o investimento imobiliário mínimo em áreas de maior demanda. Esse movimento abre espaço para a América Latina ganhar relevância como alternativa, combinando valores de entrada mais baixos, acesso a economias em crescimento e, em alguns casos, exigências menores de permanência. Enquanto tenta atrair investidores, o Brasil também aparece como exportador de capital dentro do Mercosul: no Paraguai, brasileiros responderam por 76% das residências concedidas na primeira metade de 2026, segundo o estudo.
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