Como é o modelo de Bukele de combate ao crime que inspira a direita no Brasil?
Modelo de Bukele: entenda a política de segurança que inspira candidatos no Brasil
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, tornou-se referência internacional ao adotar uma política de segurança pública linha-dura contra o crime organizado. O modelo, que combina estado de emergência prolongado, prisões em massa e megaprisões, é elogiado por resultados na queda de homicídios, mas criticado por organizações de direitos humanos devido a denúncias de detenções arbitrárias e violações ao devido processo legal.
Os números oficiais mostram queda expressiva: o índice de homicídios por 100 mil habitantes caiu de 106,3 em 2015 para 1,3 em 2025, o menor das Américas. Em agosto, o governo salvadorenho afirmou que o país completou 189 dias sem homicídios. A percepção de segurança também melhorou: menos de 10% da população diz se sentir insegura ao andar sozinha, contra 70% em 2017.
O pilar do programa é o Regime de Exceção, aprovado em março de 2022 após uma onda de violência. Desde então, o estado de emergência foi prorrogado 53 vezes, suspendendo direitos como liberdade de reunião, inviolabilidade de comunicação e ampliando o prazo de detenção provisória. Foram autorizadas prisões sem ordem judicial e interceptações sem autorização prévia. Cerca de 20 mil soldados foram mobilizados para somar-se aos 40 mil policiais em operações em áreas dominadas por gangues.
As prisões em massa elevaram a população carcerária de cerca de 37 mil para mais de 102 mil detentos, colocando El Salvador no topo do ranking mundial de encarceramento. Mais de 90 mil pessoas foram presas, incluindo cerca de 3 mil crianças. Em 2023, autoridades relataram que 7 mil detentos foram libertados por falta de provas. Organizações de direitos humanos denunciaram ao menos 261 mortes de presos sob custódia durante o estado de emergência.
Outro símbolo do modelo é o Centro de Confinamento contra o Terrorismo (CECOT), megaprisão de segurança máxima com capacidade para 40 mil detentos, inaugurada em 2023. O Código Penal também foi endurecido: a pena máxima para crimes de gangues enquadrados como terrorismo subiu para 30 anos, com líderes podendo pegar até 45 anos, e houve ampliação para prisão perpétua em casos de homicídio, estupro e terrorismo, inclusive para menores de 18 anos.
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