Ciência ainda não foi lembrada na campanha eleitoral, diz SBPC
A ciência ainda não foi incorporada ao debate da campanha eleitoral, avalia a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia. Em entrevista à Agência Brasil, ela afirma que a crise política e as denúncias envolvendo o caso Master têm monopolizado as atenções e empurrado para segundo plano temas estratégicos para o país, como envelhecimento populacional, transição energética e a capacidade de processar minerais críticos existentes no subsolo brasileiro.
Para a presidenta da SBPC, eleitores e candidatos foram colocados diante de uma falsa dicotomia. “O país acaba sendo obrigado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou o projeto de desenvolvimento, quando as duas coisas fazem parte de uma mesma agenda”, defendeu Francilene, doutora em engenharia elétrica, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que está à frente da entidade desde 2025.
Segundo ela, a ciência depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção, inclusive diante do risco de novas crises pandêmicas, mas vem sendo discutida de forma periférica. Para tentar pautar o tema, a SBPC lançou o Observatório das Eleições, com mais de uma centena de propostas de políticas públicas. A entidade tem buscado engajar candidaturas em temas como mudanças climáticas, transformação digital e preparação para novas crises sanitárias.
Francilene afirma que, historicamente, a ciência fica à margem dos debates eleitorais, com alguma mudança em 2020, durante a pandemia de covid-19, e em 2024, após enchentes no Rio Grande do Sul, queimadas no Centro-Oeste e seca no Norte e Nordeste. No atual debate, porém, diz que os temas relevantes para o futuro do país foram esvaziados. Ela cita o aproveitamento das terras raras, fundamentais para a indústria da transformação digital, como assunto presente em debates de países líderes globais, mas ausente no Brasil.
Sobre o Observatório das Eleições, a presidenta da SBPC informa que há pouco mais de uma centena de candidaturas engajadas, sendo uma única de âmbito federal e nenhuma de âmbito estadual — nenhum candidato a governador se comprometeu com as propostas. Alguns candidatos a deputado federal e ao Senado vinham aderindo, mas o movimento perdeu velocidade nos últimos dias. A entidade não faz julgamento prévio de processos investigativos em andamento, conforme nota assinada pela SBPC, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e por outras entidades científicas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Política · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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