Candidatos de São Paulo pressionam Centrão por apoio a Flávio em eventual 2º turno
Candidatos da Federação União Progressista em São Paulo articulam para que os partidos que a compõem — União Brasil e Progressistas (PP) — apoiem Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial. A ideia é levar para o plano nacional o movimento já feito no estado, onde as duas siglas se uniram em torno da candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e declararam apoio a Flávio.
“Em São Paulo, nunca houve dúvidas, somos Flávio Bolsonaro desde o início. Ele, inclusive, esteve na convenção ao nosso lado em julho”, afirma o candidato a deputado federal Silvio Navarro (União-SP). A defesa do apoio também é feita pelo candidato a deputado federal General Peternelli (União-SP). “Eu estou no União Brasil agora, mas sempre defendi o apoio ao Tarcísio e ao Flávio Bolsonaro, logicamente com o apoio aos dois senadores indicados pelo Tarcísio, o Derrite e o André do Prado. E também pressiono para que o União Brasil apoie abertamente o Flávio no segundo turno”, afirmou Peternelli à Gazeta do Povo.
Na convenção estadual da federação, Flávio foi ovacionado, ao lado dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado e do governador Tarcísio de Freitas. A articulação dos candidatos paulistas ocorre enquanto União Brasil e PP mantêm neutralidade na eleição presidencial no primeiro turno. Apesar disso, em 10 estados — Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins — a federação e o PL compõem coligações nas candidaturas ao governo estadual. No Paraná, não há coligação, mas candidatos do União Brasil também já declararam voto em Flávio no primeiro turno.
Nos dias que antecedem o pleito, apuração da Revista Oeste aponta que o União Brasil já teria decidido apoiar o candidato do PL no segundo turno, informação não confirmada oficialmente pelo partido. O Valor Econômico afirma que a Federação União Progressista teria agendado uma reunião para o dia 6 de outubro com o objetivo de firmar o acordo em torno do segundo turno.
O analista político Alexandre Bandeira, coordenador do curso de Pós-Graduação em Comunicação Política e Sociedade da ESPM, avalia que o movimento da federação em direção a Flávio tem peso que ultrapassa os votos de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Somado a Minas Gerais e ao Rio de Janeiro, o Sudeste reúne cerca de 40% dos eleitores brasileiros. Para o cientista político Elias Tavares, porém, a posição paulista não necessariamente será convertida em decisão nacional, já que União Brasil e Progressistas precisarão considerar interesses de diretórios e parlamentares de outras regiões, especialmente do Nordeste. Nesse cenário, segundo ele, a neutralidade segue como possibilidade.
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