Bolsonarismo avança no Senado, mas vai ter que negociar para impeachment de ministros do STF
A bancada bolsonarista no Senado chegará a 44 dos 81 senadores em exercício a partir de 2027, segundo levantamento da cientista política Beatriz Rey, pesquisadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, encaminhado à BBC News Brasil. Pela classificação, 24 senadores são ligados ao campo lulista e 13 foram considerados independentes dos dois grupos.
Das 54 cadeiras em disputa, 30 foram conquistadas por candidatos com apoio direto de Flávio Bolsonaro, enquanto 16 foram apoiados por Lula e oito não se enquadram diretamente em nenhum dos dois campos. O avanço foi impulsionado pelo desempenho do PL, que venceu 19 das 54 cadeiras, e pelo Novo, que chegou a três assentos. Em Estados como Distrito Federal e São Paulo, todos os senadores eleitos serão alinhados à direita.
No campo oposto, as bancadas de esquerda e centro-esquerda ficaram praticamente estagnadas. O PT manteve as nove cadeiras que já tinha, o PSB subiu de dois para quatro senadores e o PDT caiu de duas para uma vaga.
Apesar do tamanho, a bancada bolsonarista não consegue sozinha aprovar o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal, que exige 54 votos. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que a nova composição aumentará a pressão sobre o Judiciário. Até o início de setembro, havia ao menos 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF apresentados ao Senado, segundo o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que não colocou nenhum deles para andar. O principal alvo da direita é o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Para Beatriz Rey, os 44 votos não bastam para aprovar um impeachment e serão necessárias negociações. "É claro que, agora, o custo para Alcolumbre barrar algum pedido é maior", afirma a pesquisadora, que lembra haver ainda a eleição para a presidência do Senado. Segundo ela, faltou pragmatismo ao centro e à esquerda, que disputaram entre si parcelas semelhantes do eleitorado em diferentes Estados. Já o professor Carlos Machado, da Universidade de Brasília, atribui o avanço à coordenação eleitoral da direita, que lançou duas candidaturas competitivas para as duas vagas em disputa em Estados como Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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