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Bispos africanos refletem sobre a missão episcopal como caminho para uma Igreja mais missionária

Atualizado em 18/09/2026 às 07:20 schedule 4 min de leitura visibility 21 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Dicastério para a Evangelização promove, em Nemi, nos arredores de Roma, um curso de formação para bispos africanos de países de língua inglesa. A iniciativa é conduzida pela Seção para a Primeira Evangelização e as Novas Igrejas Particulares, com o apoio da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, e reúne 21 bispos ordenados entre 1999 e 2022. O encontro ocorre no Centro “ad Gentes”, dos Missionários do Verbo Divino.

A proposta parte da convicção de que o mandato missionário deve orientar as escolhas, iniciativas e reformas de cada bispo no serviço à Igreja particular que lhe foi confiada. Segundo informações da Agência Fides, o curso adota metodologia experimental, com programação flexível remodelada a partir das questões e necessidades apresentadas pelos próprios participantes, transformando o encontro em um “canteiro aberto” de reflexão, partilha e discernimento.

No início dos trabalhos, os participantes escolheram como tema prioritário “a missão e a identidade da Igreja e dos bispos hoje”. A reflexão foi impulsionada pela intervenção do arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização, que abordou três questões centrais: exclusão, comunhão e identidade episcopal. O arcebispo nigeriano chamou a atenção para a exclusão daqueles considerados diferentes e tratados como se não pertencessem à comunidade, relacionando o fenômeno ao sistema de castas em algumas regiões da Ásia e ao exclusivismo étnico em partes da África, que definiu como “a besta chamada tribalismo”.

Para Nwachukwu, o ministério episcopal deve ter a comunhão como marca fundamental, sem eliminar as diferenças. “A harmonia não elimina as diferenças, mas as une para formar a beleza das vozes corais”, afirmou. Ele recordou o episódio de Marcos 1,17, quando Jesus diz a Simão e André “eu vos farei pescadores de homens”, para explicar que o núcleo da vocação apostólica é a missão, e não a função administrativa. Aplicando essa perspectiva às nomeações episcopais, defendeu que a escolha dos candidatos considere a capacidade de promover a comunhão, e não a pertença a determinado grupo étnico, pedindo aos bispos presentes que ajudem a “derrotar” o tribalismo.

O arcebispo recorreu ainda à Carta aos Hebreus e à figura de Melquisedec, apresentada sem genealogia que o vincule a uma linhagem familiar ou tribal, para recordar que o ministério sacerdotal não pode ser reduzido a identidades étnicas ou familiares. Ele também destacou o cuidado com a saúde física e emocional dos pastores, afirmando que descansar e cuidar da saúde não são luxos, mas necessidades do ministério, e que os pastores podem aprender com o próprio Jesus, que se retirava para momentos de descanso e oração.

Na etapa mais prática, os bispos foram convidados a verificar se o mandato missionário é vivido como critério de referência em seu ministério e se está expresso nos documentos de planejamento e nas prioridades pastorais de suas dioceses. O discernimento envolveu os três munera próprios do ministério episcopal — o ensino da fé, a santificação e o governo pastoral —, com o objetivo de identificar pontos fortes, fragilidades, oportunidades e riscos em cada contexto. A metodologia contou com a contribuição do professor Peter Beer e do padre Olivier Soma, do Instituto de Antropologia da Pontifícia Universidade Gregoriana, além do padre Marco Sungsu Kim, oficial do Dicastério para a Evangelização e professor do Instituto de Psicologia da mesma universidade. O trabalho considerou os diferentes componentes da vida diocesana — sacerdotes, religiosos e religiosas, famílias, jovens, crianças e idosos —, com o objetivo de ajudar cada bispo a definir uma visão pastoral e transformá-la em escolhas e programas concretos. Até o encerramento do curso, neste sábado, 19 de setembro, os participantes procuram identificar caminhos capazes de fazer florescer o “potencial missionário” de suas Igrejas particulares.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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