'Ao sentir terremoto, voltei à escola da minha filha e menina de 10 anos morreu em meus braços'
A psicóloga Kelly Díaz, voluntária nos resgates após o terremoto que atingiu Cali, na Colômbia, relatou à BBC News Mundo o momento em que a melhor amiga de sua filha, uma menina de 10 anos, morreu em seus braços. A tragédia ocorreu na escola Nuevo Edén, no sul da cidade, uma das mais afetadas pelo tremor de segunda-feira (10/08).
Díaz contou que deixava a escola quando sentiu o solo tremer. "Rapidamente, ele foi ficando muito mais forte. Aquela intensidade era incomum. Corri de volta para a escola, pensando apenas que minha filha poderia estar apavorada", lembrou. Ao chegar, encontrou a cena "devastadora": duas pessoas caídas em meio aos escombros — a menina de 10 anos e a professora dela.
Com treinamento em primeiros socorros, a psicóloga verificou primeiro a situação da filha e dos demais alunos. Depois, foi ajudar a menina, que tinha traumatismo craniano e estava em uma poça de sangue. "Ela e a professora apresentavam sinais vitais, mas nenhuma ajuda chegava", afirmou. Sem ambulâncias no local, voluntários assumiram o resgate. "Nós, os voluntários, fomos os que carregamos os corpos para fora", disse. A menina, que tinha leves movimentos e reações, não resistiu. "Ela morreu em meus braços. Depois, a mãe dela chegou."
Segundo o prefeito de Cali, Alejandro Éder, até quarta-feira (12/08) a cidade registrava 74 mortos e 150 desaparecidos. Com mais de 50 edifícios colapsados, a capital do Valle del Cauca é uma das áreas mais atingidas pelo terremoto, que deixou pelo menos 265 mortos em todo o país. As buscas por sobreviventes continuam, com equipes intensificando os trabalhos à noite para captar sinais vitais entre os escombros.
Díaz é uma das muitas voluntárias mobilizadas pela cidade. Ela destaca a importância da ajuda da população, especialmente em locais menores, como a escola da filha, onde recursos e equipes oficiais demoram a chegar. "É o povo que salva o povo", afirmou. Outro voluntário, Juan A. Carabalí, viajou de Suárez, a cerca de 70 quilômetros, para ajudar nos resgates. "Não paramos porque só pensamos na dor das famílias. É isso que nos mantém firmes", concluiu Díaz.
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