A cidade que fabrica mísseis para Trump: 'se você não for conservador, não venha para cá'
Em Kingsport, cidade de 58 mil habitantes no interior do Tennessee, o apoio ao presidente Donald Trump resiste à queda nacional de popularidade. Enquanto pesquisas recentes apontam a aprovação do presidente em 32%, o menor índice de seu mandato, a região votou esmagadoramente no republicano nas três últimas eleições presidenciais — o Tennessee é um Estado republicano há mais de 25 anos.
O principal motor econômico local explica parte dessa lealdade. A fábrica Holston de munições do Exército, que emprega cerca de mil pessoas, produz explosivos usados em mísseis Patriot, ogivas e outros armamentos pesados no contexto da guerra dos EUA com o Irã. Único fornecedor nacional de alguns componentes essenciais de explosivos, a unidade garante empregos independentemente do cenário político. "A fábrica vai estar aberta, estejamos em guerra ou não", diz Daniel Overstreet, de 53 anos, morador local.
Os efeitos colaterais do conflito — como a gasolina acima de US$ 4 por galão e a inflação de alimentos — são sentidos na cidade, mas os residentes não culpam Trump. "Ele se saiu bem em algumas coisas; acho que ele precisa repensar seus conselheiros", afirma Pam Robinson, de 65 anos, que trabalhou duas décadas em uma fábrica de produtos químicos. O veterano David Carter, de 66 anos, reconhece que o presidente "precisa ser mais humilde", mas condiciona seu voto a valores morais, como a oposição ao aborto.
O apoio local também se reflete nas urnas. Nas eleições locais da semana passada, a cédula incluía apenas um candidato democrata; dos 11 distritos da comissão do condado, sete tinham somente republicanos, alguns sem oposição. Moradores citam o aborto como principal fator decisivo e dizem não cruzar linhas partidárias por razões morais.
Há, porém, vozes dissonantes. O tatuador Adam Teague, de 44 anos, democrata e gay, afirma ter moderado sua aparência para se sentir mais seguro. Já Mary Herron, de 21 anos, percebe mudança de atitudes entre os mais jovens. "Estou vendo uma mudança no apoio... o que é meio raro por aqui", diz. Ainda assim, a maioria local vê a guerra como necessária. "Se ele puder impedir que alguém tenha uma bomba nuclear, então sou a favor", resume Robinson.
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