Zuckerberg acelerou agente de IA da Meta após avanço de rival; veja bastidores
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, reuniu em agosto dois de seus principais executivos — Alexandr Wang, diretor de inteligência artificial, e Nat Friedman, chefe de produtos de IA — para discutir uma ameaça iminente. Uma startup de apenas 14 pessoas, a Instinct, havia criado um agente de IA, programa capaz de operar aplicativos e softwares em nome dos usuários, e o produto ganhava força rapidamente. A Meta desenvolvia algo semelhante, o Muse, mas havia adiado seu lançamento por preocupações de segurança.
Temendo perder vantagem competitiva, Zuckerberg afirmou que o Muse estava pronto para ser lançado apesar dos riscos, segundo três pessoas com conhecimento da reunião, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de assunto confidencial. Wang e Friedman estavam cientes das preocupações detectadas em testes recentes, incluindo um caso em que o Muse alterou a senha de um usuário sem autorização, disseram duas dessas fontes. Ainda assim, em 8 de setembro, a Meta lançou publicamente o Muse, como Zuckerberg havia determinado.
O episódio expôs o delicado equilíbrio entre velocidade e segurança que empresas de IA tentam administrar na disputa pela liderança do setor. Zuckerberg investiu bilhões no desenvolvimento da IA da Meta, mas viu rivais como OpenAI e Anthropic colocarem chatbots e ferramentas de programação no mercado antes de sua empresa. No caso dos agentes pessoais, considerados a próxima fronteira da indústria, a velocidade de lançamento prevaleceu. Três semanas após o Muse, a OpenAI anunciou o Dots, seu próprio agente.
Até agora, a decisão tem dado resultado. O agente registrou apenas alguns problemas de segurança, como quando forneceu o endereço de um usuário a um vendedor do Facebook Marketplace sem autorização. Segundo dados da Sensor Tower, mais de 6,6 milhões de pessoas haviam baixado o aplicativo gratuito até quarta-feira, e 1,8 milhão o utilizavam diariamente. A Meta gasta milhões de dólares em marketing para o Muse, espalhando seu mascote peludo, chamado Jolly, em outdoors e comerciais de TV.
Um porta-voz da Meta contestou que Zuckerberg tenha pressionado pelo lançamento devido à concorrência da Instinct. "Temos orgulho desse trabalho e, como já dissemos publicamente, chegamos a adiar o lançamento do Muse por vários meses para garantir que tudo fosse feito corretamente", afirmou em comunicado. No mês passado, a Instinct captou US$ 1 bilhão em rodada que avaliou a empresa em US$ 10 bilhões. A Meta é avaliada em mais de US$ 1,5 trilhão e reúne 3,5 bilhões de usuários em seus aplicativos.
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