Você acha que trabalha bem em equipe. Mas sua equipe concorda?
Uma pesquisa sobre comportamento organizacional aponta que, quanto mais sênior é um líder, maior a probabilidade de ele subestimar o quanto adota dois comportamentos prejudiciais à colaboração: dominar conversas e microgerenciar. Segundo o estudo, esses comportamentos costumam aparecer juntos e se reforçam mutuamente, frustrando os membros da equipe e sufocando o diálogo aberto, a diversidade de pensamento e a confiança necessários para uma colaboração eficaz.
Os pesquisadores atribuem o problema a um fenômeno descrito por psicólogos organizacionais como entrincheiramento de papel. No início da carreira, os líderes são recompensados por demonstrar expertise e entregar trabalho de alta qualidade, mas têm autoridade e status limitados — o que os impede de dominar conversas e não lhes dá oportunidade de microgerenciar. Com o ganho de senioridade, essas limitações desaparecem: o impulso de demonstrar conhecimento pode evoluir para o hábito de dominar discussões, e a preocupação em garantir qualidade pode se transformar em envolvimento excessivo no trabalho da equipe.
Para enfrentar esses pontos cegos, o estudo identifica quatro estratégias. A primeira é obter dados honestos: pedir feedback formal e anônimo a colegas, pares, subordinados diretos e partes interessadas externas, além de buscar retorno em tempo real, que oferece detalhes acionáveis entre os ciclos formais de avaliação. Comunicar abertamente à equipe que se está pedindo feedback também ajuda a criar condições de segurança psicológica.
A segunda é resistir à defensividade, complementando o retorno recebido com dados objetivos — como analisar a transcrição de uma reunião para verificar quanto tempo se falou — e mantendo o foco no objetivo de melhorar o desempenho da equipe. A terceira envolve substituições comportamentais concretas: colocar-se no mudo nas reuniões, trocar correções imediatas por perguntas, fazer pausas antes de falar, revisar o plano antes do início do trabalho em vez de rascunhos em andamento e substituir verificações improvisadas por pontos de contato agendados, explicando o motivo dos contatos.
Por fim, a quarta estratégia é manter-se responsável, com estruturas simples e sociais: escolher um colega de confiança, explicar qual comportamento se busca melhorar e combinar um sinal — uma palavra ou até um olhar — para quando os velhos hábitos voltarem a aparecer.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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