STF exacerba politização abrindo balcão de negócios com futuros congressistas
A perspectiva de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) enfrentem processos de impeachment no Senado provocou uma nova escalada na politização da Corte, marcada por articulações com integrantes do Congresso recém-eleito. O objetivo declarado nos bastidores é preservar a influência política do tribunal e evitar o afastamento de seus membros.
As movimentações ganharam força após o primeiro turno das eleições, quando candidatos que fizeram do enfrentamento ao STF uma de suas principais bandeiras conquistaram dezenas de cadeiras no Senado. A nova composição da Casa ameaça romper a proteção política que, segundo a reportagem, permitiu aos ministros atravessar sucessivos pedidos de impeachment sem que os processos avançassem. Por intermédio do presidente da Corte, Edson Fachin, a ala identificada como "golpismo togado" passou a buscar interlocutores entre adversários políticos construídos ao longo dos últimos anos.
Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que dois ministros consideram necessário procurar integrantes mais moderados do PL, partido com mais cadeiras no Senado, para evitar o avanço dos processos. O risco de afastamentos já no primeiro semestre de 2027 é tratado como concreto dentro do tribunal. A eleição do próximo presidente do Senado, prevista para fevereiro, passou a ser acompanhada com preocupação, por ser decisiva para a tramitação dos pedidos. Rogério Marinho (PL-RN), crítico da ala do STF, é apontado como favorito para o cargo.
Conforme a reportagem, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro interpretaram movimentos de alguns ministros como tentativas de um "acordão" político, que envolveria a preservação de ministros em troca da revisão da prisão de Jair Bolsonaro e da aceitação judicial de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Publicamente, a cúpula do PL rejeita a ideia de acordo e mantém a intenção de promover ao menos o impeachment de Alexandre de Moraes. Marinho confirmou em coletiva já ter conversado com seis ministros do tribunal e afirmou que "não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão".
Paralelamente, decisões favoráveis a figuras da direita ganharam destaque após o primeiro turno, alimentando especulações sobre um possível recuo. Entre elas estão a progressão de Débora do Batom para o regime semiaberto, autorizada por Moraes, e o arquivamento de investigações envolvendo o senador Marcos do Val, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, além de um pedido contra Alfredo Gaspar. Quase 50 senadores da próxima legislatura já sinalizaram apoio ao impeachment de ministros do STF. Uma liminar de Gilmar Mendes, de dezembro de 2025, elevou a exigência de votos de 41 para 54, mas a decisão ainda pode ser derrubada.
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