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Startups: IA pode movimentar US$ 4,7 trilhões em lucros corporativos até 2035

Atualizado em 14/09/2026 às 19:25 schedule 4 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A inteligência artificial pode movimentar cerca de US$ 4,7 trilhões em lucros corporativos entre 2025 e 2035, segundo estudo da consultoria Bain & Company. O valor equivale a mais que o triplo do impacto gerado pela internet, em metade do tempo. A pesquisa analisou 92 setores da economia global para mapear onde a transformação deve ser mais profunda.

Para dimensionar a comparação, o levantamento lembra que, entre 1995 e 2015, a internet colocou em jogo cerca de US$ 1,4 trilhão em lucros. Desse total, US$ 1,1 trilhão vieram do crescimento líquido do pool de lucros, impulsionado pela criação de novas categorias e por ganhos de produtividade, enquanto US$ 300 bilhões foram redistribuídos entre concorrentes. Esse crescimento respondeu por apenas um quinto da expansão total dos lucros no período, já que fatores como mudanças demográficas e a industrialização da China também tiveram peso relevante.

O mecanismo central da internet, aponta a Bain, foi a redução drástica do custo de distribuição. Antes da rede, levar um produto, serviço ou informação ao cliente exigia estrutura física — lojas, agências, distribuidores e vendedores —, o que encarecia o processo. A internet reduziu esse custo a quase zero e impulsionou o comércio eletrônico e os marketplaces. O efeito, porém, só transformou de forma significativa os setores em que a distribuição era o principal gargalo, caso de 41% dos setores analisados, incluindo viagens, notícias, serviços financeiros e software corporativo. Em áreas como mineração, pesquisa farmacêutica e construção, a internet teve pouco ou nenhum efeito.

A diferença central apontada pelo estudo é que, enquanto a internet reduziu o custo de chegar ao cliente, a IA reduz o custo de produzir o próprio produto ou serviço, do diagnóstico médico ao desenvolvimento de software, passando pelo trabalho físico realizado por robôs e veículos autônomos. Os pesquisadores dividem esse efeito entre a IA cognitiva, que transforma o trabalho baseado em conhecimento e expertise, e a IA incorporada, presente em robôs e veículos autônomos, que altera a produção física e as operações. Segundo a Bain, a maior parte da disrupção ocorre hoje no campo cognitivo, mas a IA incorporada avança rapidamente.

O estudo detalha três formas pelas quais a IA deve movimentar os lucros globais. Os ganhos de produtividade podem representar US$ 1,1 trilhão, cerca de 24% do total em jogo. A inovação deve responder por US$ 2,2 trilhões, com novos produtos e modelos de negócio viabilizados pela tecnologia. Já a disputa por market share é responsável por US$ 1,3 trilhão, com cerca de 29% da mudança no pool de lucros vindo da redistribuição entre concorrentes existentes. Para a maioria das empresas, segundo o estudo, o maior risco não está em um novo entrante disruptivo, mas no concorrente direto que conseguir usar melhor a tecnologia.

A pesquisa organiza os 92 setores em quatro grupos. O de fundação tecnológica concentra US$ 1,5 trilhão, reunindo nuvem, data centers, semicondutores, PCs, servidores e modelos de fundação de IA. O de reconfiguração, também estimado em US$ 1,5 trilhão, inclui farmacêutica e biotecnologia, saúde, equipamentos médicos, defesa, pagamentos, software corporativo, consultoria, advocacia, cibersegurança, transporte, logística e mídia interativa. O de aumento representa US$ 1,3 trilhão, com setores em que o modelo de negócio muda menos, mas a execução se torna decisiva. Por fim, o grupo de revolução responde por US$ 300 bilhões, em áreas como suporte ao cliente, serviços de TI e tutoria online. O estudo foi assinado pelos consultores Dunigan O’Keeffe, Gardiner Kreglow, Gene Rapoport, Sophie Horrocks, Hernan Saenz e Martin Toner.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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