Soldados da Ucrânia avançam por tubos de gás subterrâneos para cercar russos
As forças armadas da Ucrânia concluíram na última semana uma operação subterrânea na região de Kupiansk, no leste do país, utilizando gasodutos desativados enterrados a quatro metros de profundidade. Segundo o material divulgado, as tropas avançaram 15 quilômetros por dentro das tubulações para surpreender o inimigo. A ação resultou na prisão de 30 soldados russos e na eliminação de outros 100 que usavam a mesma rede para infiltração.
O cenário na linha de frente é dominado por drones que vigiam cada movimento na superfície, o que torna qualquer deslocamento a céu aberto extremamente arriscado. Para evitar ataques aéreos, os militares adaptaram estruturas civis desativadas como corredores logísticos. Os canos de aço têm cerca de 1,2 metro de diâmetro e 1,5 centímetro de espessura, protegidos por uma densa camada de terra. Os soldados não conseguem ficar em pé e precisam se mover curvados ou em pequenos veículos elétricos, mas o ambiente oferece abrigo contra a vigilância tecnológica constante dos dois lados.
A estratégia da Operação Veles
A operação foi planejada depois que os ucranianos identificaram que os russos usavam a malha subterrânea para cruzar barreiras naturais, como o rio Oskil, sem exposição. Para retomar o controle, a unidade militar Khartiia estudou mapas antigos e consultou engenheiros civis. Durante a incursão, os combatentes enfrentaram os russos com metralhadoras e granadas dentro dos tubos. Quando o avanço travava, os ucranianos cortavam as paredes de aço, cavavam túneis paralelos na terra e reentravam na tubulação metros adiante, conseguindo flanquear e capturar as posições de defesa russas no subsolo.
A destruição total da rede com explosivos se mostrou praticamente impossível devido à alta resistência das tubulações. O aço reforçado das paredes, somado à pressão da espessa camada de solo acima, torna as explosões superficiais ineficazes contra a integridade do sistema. Diante dessa limitação técnica, a tática adotada passou a ser o entupimento e o bloqueio físico das passagens. Enquanto a Ucrânia tenta selar trechos para impedir novas infiltrações, as tropas russas tentam contra-atacar perfurando externamente as paredes dos tubos para desobstruir rotas e retomar passagens.
O sucesso da incursão em Kupiansk motivou o comando ucraniano a avaliar a construção de uma rede de túneis planejada para conectar postos de observação, depósitos de suprimentos e unidades de apoio. Parte da logística e da produção militar ucraniana já foi transferida para locais protegidos abaixo da superfície. Especialistas apontam que a experiência com os gasodutos industriais pode deixar de ser apenas um uso oportunista de infraestrutura abandonada para se tornar uma doutrina de defesa consolidada, com o objetivo de manter o abastecimento e o fluxo de tropas a salvo dos drones.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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