Shein foi a grande aposta do fast fashion. Agora, luta para escrever novo capítulo
A Shein, que já foi uma das empresas mais comentadas do varejo global, enfrenta agora o desafio de convencer investidores sobre seu futuro após anos de crescimento acelerado. A companhia, que se destacou por transformar tendências da Geração Z em roupas de baixo custo em poucos dias, viu seu burburinho diminuir e busca novas formas de crescer depois que Estados Unidos e Europa acabaram com isenções tarifárias para produtos baratos importados.
Após sucessivos adiamentos, a empresa está perto de abrir seu capital na Bolsa de Hong Kong, mas por uma fração de seu valor de pico. Em 2022, a Shein foi avaliada em US$ 98,2 bilhões, quando se tornou a maior varejista de moda online do mundo. A companhia apresentou um prospecto à Bolsa de Hong Kong no mês passado, mas ainda não anunciou data e detalhes de preço de sua estreia no mercado. A mudança para Hong Kong ocorre depois que a empresa abandonou planos de IPO em Nova York em 2024 e enfrentou resistência em Londres.
O fim das isenções tarifárias nos Estados Unidos, decidido pelo presidente Donald Trump no ano passado, deu um duro golpe no maior mercado da Shein. No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida da empresa no país caiu 14,3%, para US$ 2 bilhões. Na Europa, que responde por mais de um terço da receita da companhia, autoridades anunciaram uma tarifa fixa de 3 euros sobre encomendas de comércio eletrônico que antes entravam no bloco sem cobrança de impostos. Em seu prospecto, a empresa alertou que o impacto na Europa poderia ser semelhante ou superior ao observado nos EUA.
Para tentar convencer investidores, a Shein aposta em vender acesso ao sistema que construiu para criar, produzir e entregar produtos rapidamente, além de expandir para móveis, cosméticos, produtos para animais de estimação e eletrônicos — itens que não são roupas já respondem por mais de um terço da receita. No entanto, analistas estão céticos. Desde que lançou o serviço de cadeia de suprimentos em caráter experimental, em 2023, a empresa atraiu apenas cerca de 20 marcas, e o programa gerou menos de 1% da receita líquida total em 2025. Jianggan Li, fundador da consultoria Momentum Works, que acompanha a Shein de perto, afirmou que potenciais investidores percebem pouco entusiasmo por parte dos fundadores. "Não sinto que exista um forte desejo da administração de abrir o capital da empresa, além do fato de que os investidores querem sair", disse.
O primeiro capítulo da Shein foi extraordinário. Fundada em 2012, a empresa usava algoritmos para acompanhar tendências e fazia pedidos iniciais de algumas centenas de unidades para testar a demanda, o que permitia lançar aproximadamente 4.700 novos modelos de roupas por dia. O modelo dependia de um ecossistema industrial concentrado em Guangdong, na China, onde pequenas fábricas conseguiam produzir rapidamente pedidos de apenas 100 peças. Agora, a empresa tenta se reposicionar. Em fevereiro, o fundador e CEO, Sky Xu Yangtian, apareceu publicamente diante de autoridades da província de Guangdong e anunciou um investimento de cerca de US$ 1,4 bilhão nos três anos seguintes para construir um centro de cadeia de suprimentos na região. "Não está claro, além de moda realmente barata e ultrarrápida, o que eles serão capazes de gerar", disse Sucharita Kodali, especialista em comércio eletrônico da Forrester.
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