Rússia transforma drones iranianos em armas mais letais para atacar a Ucrânia
A Rússia está modificando de forma profunda os drones iranianos Shahed, rebatizados de Geran, para torná-los mais velozes e destrutivos na guerra contra a Ucrânia. As alterações são feitas em fábricas como as de Alabuga e Izhevsk, que adotaram um modelo de produção menos burocrático e experimental, permitindo atualizações em semanas.
Entre as principais mudanças técnicas está o aumento do número de elementos nas antenas, para superar bloqueios de sinal, e a instalação de componentes comerciais modernos, como cartões SIM de celular e câmeras de alta definição. Com isso, o equipamento deixa de ser apenas um projétil com rota fixa e passa a operar como aeronave de ataque pilotada remotamente em tempo real. A Rússia também introduziu motores a jato chineses que dobram a velocidade do voo, que passa a alcançar mais de 480 km/h.
O poder de destruição foi ampliado com a substituição da ogiva original iraniana de 53,5 kg por modelos russos mais potentes. Em Alabuga, foram desenvolvidas ogivas de quase 90 kg que combinam fragmentação, alto poder explosivo e capacidade incendiária. Em Izhevsk, os engenheiros passaram a posicionar duas ogivas BST-52 opostas na fuselagem, resultando em carga útil superior a 100 kg. Os drones maiores também servem como "naves-mães", capazes de carregar e lançar pequenos drones adicionais.
Segundo analistas militares, a capacidade russa de aprender com o campo de batalha e aplicar melhorias imediatas cria um desequilíbrio perigoso. Diferentemente das nações ocidentais, que seguem longos processos de certificação e desenvolvimento de armamentos, a Rússia aceita o caráter experimental de suas unidades operacionais. Na prática, adaptações improvisadas com itens simples, como modems presos com fita adesiva, são testadas diretamente no front e, se funcionam, incorporadas à linha de montagem padrão.
O alerta para o Ocidente, ainda de acordo com os analistas, é que, em um eventual cenário de ampliação do conflito, outros países enfrentariam tecnologias já aperfeiçoadas sob fogo real — um nível de prontidão e evolução técnica que democracias em tempos de paz dificilmente conseguem acompanhar.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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