Rotatividade alta preocupa comércio varejista de SP; veja dicas de retenção
A taxa de substituição de trabalhadores no comércio varejista de São Paulo em relação ao estoque de empregos ativos chegou a mais de 63% nos 12 meses até junho deste ano, o maior patamar desde 2022. Os cálculos são da FecomercioSP, feitos a partir de dados do Ministério do Trabalho. Na prática, para cada 100 vagas formais abertas no varejo do estado no último ano, 63 passaram por alguma mudança. Em 2022, essa taxa era de 51%.
A federação afirma que o dado acende um alerta porque representa custo direto às empresas. “Quanto maior a rotatividade, mais gastos com rescisões (aviso-prévio, FGTS, multas), com novas contratações (divulgação, triagem, exames) ou com os treinamentos iniciais dos novos funcionários”, diz artigo do boletim deste mês do Panorama do Comércio. Há ainda o custo invisível do período até o contratado atingir produtividade plena, que costuma levar mais de um mês nos melhores casos, segundo a entidade. Em segmentos que dependem de relacionamento intenso com o cliente, como farmácias, lojas e supermercados de bairro, a rotatividade também prejudica o vínculo entre vendedor e consumidor e, por consequência, a fidelização.
Os números variam conforme a atividade. Vestuário, tecidos e calçados registram a maior taxa, de 79,1% em 2025, alta de 4,6 pontos porcentuais em relação ao mesmo mês de 2023. Segundo o artigo, a atividade tem condição particular: além do peso do atendimento, está mais sujeita às sazonalidades do mercado de trabalho e às oscilações do mercado. Nos supermercados, a taxa passou de 53,9% em 2022 para 72,1% em 2025. Como a exigência de qualificação é menor e o setor costuma ser o primeiro emprego de muitos jovens, a rotatividade tende a ser maior, ainda mais em períodos de mercado de trabalho aquecido. O setor também enfrenta retração de vendas, com margens comprimidas, impostos e juros altos.
Para a assessora econômica da Fecomercio-SP, Kelly Carvalho, uma forma de evitar o turnover é investir em capacitação e treinamento. Ela afirma que, embora seja um custo, ele será menor do que os gastos com demissão e substituição de mão de obra. “Além disso, a tendência é que os colaboradores se sintam mais valorizados com esse tipo de iniciativa — e que até considerem isso antes de migrar para outra oportunidade de mercado que surgir. Sem contar que há uma série de modelos de treinamento mais baratos e de qualidade em plataformas online.”
O também assessor econômico Thiago Carvalho sugere estratégias para quem quer evitar os custos diretos e indiretos das substituições. Entre elas estão implantar uma entrevista real de desligamento, para identificar padrões que possam ser corrigidos; criar um ritual simples de reconhecimento mensal, que não depende só de bonificação financeira; e mapear os funcionários que sustentam o atendimento e que carregam parte importante do faturamento, conversando com eles e oferecendo perspectiva concreta de promoção. Segundo ele, perder um funcionário-chave em um momento de vendas fracas pode custar mais do que qualquer benefício preventivo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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