'Razão e Sensibilidade': 4 erros das adaptações de Jane Austen, segundo especialistas
As obras de Jane Austen (1775-1817) seguem sendo readaptadas com frequência, e este ano chegam duas novas produções: uma versão cinematográfica de Razão e Sensibilidade, dirigida por Georgia Oakley e que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (15/10), e uma série de TV baseada em Orgulho e Preconceito. Segundo especialistas ouvidos pela BBC Culture, algumas características dessas adaptações costumam desagradar os admiradores da escritora britânica.
O primeiro ponto é o foco excessivo no romance de conto de fadas. Para a pesquisadora Kathryn Sutherland, da Universidade de Oxford, Austen se concentra muito mais na heroína e é uma romancista psicológica. Suas protagonistas são mulheres imperfeitas que enfrentam desafios morais e obstáculos sociais, independentemente do interesse amoroso. A professora Sandie Byrne, também de Oxford, lembra que Austen sabia que precisava do "viveram felizes para sempre" para vender livros, mas não fazia do beijo, do pedido ou do casamento o clímax de suas histórias. Elevar o romance a roteiro principal pode fazer as adaptações ignorarem a crítica de classes e a realidade sombria das mulheres na era da Regência Britânica.
O segundo erro está nas roupas, nos penteados e até nos dentes. Quando o trailer do novo Razão e Sensibilidade foi divulgado, fãs questionaram a ausência de gorros: as cenas mostravam Elinor, de 19 anos, e Marianne, de 17, com longos cabelos soltos. Na era da Regência, apenas meninas muito jovens usavam cabelos soltos, segundo Byrne. A professora Juliette Wells, do Goucher College, nos Estados Unidos, critica ainda os cabelos, os dentes e os corpos moldados em academias do século 21, lembrando que poucos personagens de Austen são descritos como tendo bons dentes. A versão de Persuasão da Netflix, em 2022, foi criticada pela maquiagem evidente de Dakota Johnson.
O terceiro problema é a dificuldade de reproduzir a linguagem e o ritmo de Austen, conhecida pelos diálogos espirituosos e pela narração onisciente. Byrne afirma que se lê Austen pela ironia, pelo humor e pela sátira sutilmente subversiva, mas capturar essa sofisticação verbal na tela é um desafio. Segundo Sutherland, as adaptações costumam seguir o estilo romântico visual de Charlotte Brontë, enquanto Austen é mais parcimoniosa e oferece muito mais por meio dos diálogos. Wells diz sentir falta da linguagem acima de tudo, e observa que o ritmo lento de Austen, que se demora nas cenas e no desenvolvimento dos personagens, nem sempre atende às exigências da tela grande.
O quarto ponto apontado pelos especialistas é o elenco glamouroso demais. O material disponível menciona que, nas adaptações, alguns atores eram velhos demais para seus personagens, citando o caso de Alan Rickman (1946-2016), mas o texto não detalha os demais exemplos nem o desfecho dessa lista.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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