Prejuízo com roubo de canetas para emagrecimento leva farmácias a se unir à polícia
A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) firmou uma aliança com autoridades de segurança civil e militar do estado de São Paulo para prevenir e reduzir assaltos a estabelecimentos farmacêuticos. A parceria será feita com o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e as sete grandes redes de farmácias, com o objetivo de identificar padrões de atuação dos criminosos e desenvolver estratégias de prevenção.
Um levantamento da entidade aponta que as perdas com roubos e furtos de medicamentos da classe GLP-1, usados principalmente no tratamento de diabetes e obesidade, já chegam a aproximadamente R$ 70 milhões, com a subtração de 58.898 unidades. Considerando esses números, o prejuízo médio equivale a cerca de R$ 1.189 por unidade subtraída — cálculo que representa apenas uma média das perdas declaradas, não o preço de venda de um medicamento específico. O prejuízo vai além das mercadorias roubadas, pois inclui despesas adicionais com vigilância, monitoramento e prevenção, além de riscos para funcionários e consumidores.
Segundo a Abrafarma, suas associadas registraram, em média, 11 ocorrências diárias em São Paulo durante 2025. Desse total, sete aconteceram na capital, que concentrou 64% dos casos. Outros 21% foram registrados em oito municípios: Campinas, Guarujá, Guarulhos, Osasco, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo e Sorocaba. A concentração geográfica dos crimes está entre os fatores que motivaram a ação, que ajudará a reunir mais informações sobre horários, locais, características das ocorrências e possíveis conexões entre os episódios.
“O tema roubo e segurança fazia parte da atuação institucional da entidade. A evolução das ocorrências mostrou a necessidade de incorporar medidas de prevenção à discussão, inclusive para a segurança de nossos próprios colaboradores”, explica o CEO da Abrafarma, Sergio Mena Barreto. A parceria contará com o apoio do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP) e da Sekron Digital, empresa especializada em monitoramento e segurança eletrônica.
Para Pedro Santos, delegado titular da 5ª Delegacia de Investigações sobre Furtos e Roubos a Bancos, do Deic, o compartilhamento de informações poderá dar maior agilidade às operações policiais. “A integração entre as forças policiais e lojistas trará agilidade às operações, e informações compartilhadas vão identificar padrões e mapear as ocorrências com mais precisão”, afirma. A iniciativa busca substituir ações isoladas de proteção por um modelo de cooperação entre o varejo e as forças de segurança.
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