'Por que só minha irmã tem esquizofrenia se herdamos os mesmos genes e crescemos juntas?'
A geneticista mexicana Consuelo Walss-Bass, professora de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da UTHealth Houston, nos Estados Unidos, dedicou mais de 20 anos a investigar as causas biológicas da esquizofrenia. A pergunta que orientou sua carreira nasceu dentro de casa: por que sua irmã Paty desenvolveu a condição e ela, não, se ambas herdaram os mesmos genes e cresceram no mesmo ambiente?
Segundo Walss-Bass, não existe um único gene responsável pela doença. Cerca de 287 genes contribuem para o transtorno, mas cada pessoa carrega combinações diferentes. A cientista descreve uma "tempestade perfeita": a genética precisa se somar a fatores ambientais, como traumas vividos em períodos específicos do desenvolvimento cerebral. No caso de Paty, ela aponta a gestação difícil da mãe, a falta de afeto materno nos primeiros meses e o isolamento na infância e no início da adolescência.
Walss-Bass também relata que os primeiros sintomas costumam surgir na adolescência, fase em que o cérebro passa por reorganização, o que dificulta distinguir sinais da doença de mudanças típicas da idade. Paranoias, isolamento e a sensação de ser observada foram alguns dos indícios que, segundo ela, só foram compreendidos depois. A pesquisadora defende que reconhecer o primeiro episódio e buscar tratamento é fundamental, já que a doença tende a se tornar mais frequente com o tempo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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