Por que os candidatos a presidente querem construir mais data centers no Brasil
A ampliação da infraestrutura de computação avançada e de data centers aparece nos planos de governo dos principais candidatos à Presidência, segundo levantamento da BBC News Brasil. Em 20 de agosto, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em Macaíba (RN) um supercomputador para inteligência artificial, com investimento estimado em R$ 1 bilhão. O governo também anunciou outra estrutura de computação avançada no Rio de Janeiro, em parceria com empresas chinesas.
Os projetos integram uma estratégia para ampliar a capacidade computacional do país, um dos recursos necessários para treinar e operar sistemas de inteligência artificial. A agenda não é exclusividade do petista: aparece também nos programas de Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Augusto Cury (Avante), que cresceu nas pesquisas no fim de agosto, dedica parte de seu programa à IA e à robótica, mas menciona a tecnologia como infraestrutura estratégica de Estado, sem proposta específica para data centers.
As abordagens diferem quanto ao papel do Estado e às exigências ambientais. O plano de Lula associa os data centers à soberania digital e defende infraestrutura computacional nacional, serviços de nuvem e supercomputadores operados por instituições brasileiras, com exigências de eficiência energética, uso progressivo de fontes renováveis e contrapartidas de conteúdo local. Caiado também propõe incentivos tributários ao setor, condicionados a exigências ambientais, tecnológicas e sociais, além de investimento na rede elétrica e reserva de capacidade para universidades e centros de pesquisa.
Flávio Bolsonaro e Zema adotam abordagem voltada à atração de investimentos privados, com defesa de energia barata e confiável e de um ambiente regulatório e tributário capaz de atrair empresas de tecnologia. O plano de Flávio fala em transformar o país em polo global de data centers sustentáveis; o de Zema menciona aproveitar a energia limpa para atrair indústrias intensivas em energia e inteligência artificial. Renan Santos defende incentivos e zonas econômicas especiais voltadas à IA, com regras próprias para energia, impostos e regulação, e quer tornar o Brasil, especialmente o Nordeste, exportador de capacidade computacional.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que a expansão dessa infraestrutura pode ajudar o país a desenvolver capacidade tecnológica, mas não produz automaticamente soberania digital. Para Luca Belli, professor da Fundação Getulio Vargas e coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade, a construção de data centers não garante, por si só, soberania tecnológica. Segundo ele, a instalação deveria estar associada a parcerias com universidades, laboratórios, startups e governos locais, com foco em transferência de tecnologia. Belli afirma que os candidatos ainda precisam explicar qual tipo de data center pretendem atrair, quais benefícios serão gerados no Brasil e quem pagará os custos de energia, água e infraestrutura — pontos que, segundo a reportagem, os planos de governo não detalham.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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