Por que Matthew McConaughey decidiu passar dois dias lendo suas piores críticas
O ator Matthew McConaughey, vencedor do Oscar e com fortuna estimada em US$ 200 milhões, decidiu reunir todas as piores críticas já escritas sobre ele e lê-las durante um fim de semana no deserto. A experiência, revelada em entrevista recente ao podcast Build or Break, ocorreu por volta de 2018 ou 2019, quando o ator escrevia sua autobiografia Greenlights, segundo sua equipe.
"Transformei tudo em um livro grosso, não as críticas positivas, mas as negativas, e sentei para lê-las", contou McConaughey. "Era a única coisa que levei comigo, e passei dois dias olhando para aquilo. Foi difícil." A viagem foi ao deserto do oeste do Texas, próximo à cidade de Marfa.
A experiência levou o ator a concluir que existem dois tipos de críticos, e que apenas um deles merece atenção. "Em algumas críticas, percebi logo na primeira frase que a pessoa já tinha algo contra mim. Não importava se tinha visto o filme ou não. Ela simplesmente não gostava de mim e já iria escrever uma crítica negativa", afirmou.
Mas nem toda avaliação desfavorável era motivada por implicância. "Li algumas e pensei: 'Essa pessoa tem razão'. Era alguém que realmente gostava do meu trabalho, mas não recebeu da minha atuação aquilo que eu esperava transmitir. Onde foi que eu falhei?", disse. Para ele, esse é o verdadeiro significado de uma crítica construtiva: "Essa pessoa estava analisando o trabalho de forma objetiva. Elogiava algumas coisas, mas também apontava onde eu tinha ficado abaixo do esperado."
Segundo McConaughey, a lição vale para qualquer profissão: por maior que seja o sucesso alcançado, sempre há espaço para melhorar, e o desafio é separar o feedback relevante do simples ruído. "Alguns vão falar mal de você não importa o que faça, porque simplesmente não gostam de você, do seu sucesso ou do que você representa. Mas há críticos muito bons, que apontam de forma construtiva o que você fez de errado. E com isso você pode aprender", afirmou.
O ator não é o único profissional de sucesso a buscar feedback constante. Jason Bateman, da série Ozark, afirmou à Esquire que lê todas as críticas de seus filmes e programas porque considera importante entender como seu trabalho é recebido pelo público. No mundo corporativo, Jensen Huang, CEO da Nvidia, diz que continua extremamente autocrítico e que faz questão de criticar o trabalho de seus colaboradores para ajudá-los a evoluir. Patrice Louvet, CEO da Ralph Lauren, também defende feedbacks diretos, e Gagan Biyani, CEO da plataforma educacional Maven, passou a incluir feedbacks ao vivo durante entrevistas de emprego.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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