Por que líderes eficazes acabam sendo vistos como um problema
As organizações não perdem grandes líderes porque eles são difíceis, mas porque interpretam de forma equivocada o que os torna difíceis. É o que o texto-fonte chama de "armadilha da avaliação": em avaliações de talento, as perguntas costumam ser "por que esse líder passou de um desempenho forte para um fraco?" ou "o que ele precisa mudar?", e as respostas convergem para um comportamento a ser corrigido.
O problema não é a falta de dados, mas a forma como são interpretados. As organizações tendem a focar no que é mais visível — o comportamento —, enquanto o contexto que o molda é mais difícil de enxergar. Isso reflete um viés documentado: atribui-se excessivamente os resultados aos indivíduos e subestima-se a influência do ambiente. Modelos de competências reforçam esse padrão ao traduzir dinâmicas complexas de liderança em linguagem comportamental, o que é útil, mas incompleto. Com o tempo, o comportamento vira a lente padrão de toda avaliação: havendo atrito, conclui-se que o líder é o problema.
Os mais propensos a cair nessa armadilha não são necessariamente os de baixo desempenho, e sim aqueles de quem a organização mais depende — profissionais altamente produtivos e capacitados, muitas vezes descritos como "brilhantes, mas...". O atrito na liderança raramente tem uma única origem: pode vir de uma deficiência real de habilidades, de uma reputação construída no passado, do excesso de identificação com uma força ou do próprio sistema como obstáculo. Sem identificar a causa principal, as organizações tratam sintomas em vez de causas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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