Por que cada vez menos jovens votam no Brasil — e o que explica esse fenômeno
A participação de jovens de 16 a 24 anos no eleitorado brasileiro caiu de 18,2% em 2010 para 12,5% em 2026, segundo levantamento do Instituto Nexus. A queda de 22% no período contrasta com o crescimento de 17% do eleitorado total. Em números absolutos, o país tinha 24,7 milhões de eleitores nessa faixa etária em 2010; hoje são 19,2 milhões — uma perda de 5,5 milhões, mesmo com o aumento da população total.
Parte dessa redução tem explicação demográfica. Dados do Censo do IBGE mostram que a população de 16 a 24 anos caiu de 30,66 milhões em 2010 para 27,02 milhões em 2022, redução de 11,9% em termos absolutos. Como proporção da população total, a faixa passou de 16,08% para 13,3%. Ainda assim, a queda entre os eleitores é maior: a fatia de jovens no eleitorado recuou 31% em termos relativos, quase o dobro da redução demográfica proporcional, de 17,3%.
Para o sociólogo Rafael da Costa, diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), o envelhecimento da população é apenas parte da explicação. Ele aponta também uma crise de confiança dos jovens na política institucional tradicional. Pesquisa da Fundação Friedrich Ebert mostra que 57% dos jovens brasileiros dizem não confiar nos partidos políticos, embora 66% ainda considerem a democracia a melhor forma de governo. "Isso não significa necessariamente um afastamento da política", pondera Costa, para quem a relação se dá menos com partidos, sindicatos e movimentos sociais e mais com redes digitais, influenciadores e causas específicas.
Dados do TSE reforçam essa leitura e revelam uma divisão dentro do eleitorado jovem. Entre 2014 e 2022, o comparecimento de eleitores de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, oscilou entre 80,4% e 83,1% no primeiro turno das eleições gerais. Já entre os de 18 a 24 anos, para quem o voto é obrigatório, o comparecimento caiu de 81,6% em 2014 para 78,5% em 2022. Segundo o sociólogo, o problema central não é a abstenção de quem já vota, mas a queda no número de jovens que sequer tiram o título de eleitor.
Não há dado oficial direto do TSE sobre quantos jovens de 16 a 24 anos estão fora do cadastro eleitoral, mas é possível estimar cruzando Censo do IBGE e dados do TSE. Na faixa de 18 a 24 anos, o Censo 2022 contabilizou 21,2 milhões de brasileiros, enquanto o TSE registrava eleitorado apto de 19,4 milhões nas eleições de 2022 — diferença de cerca de 1,9 milhão de pessoas, ou 9% do total, que sugere que essa parcela não tirou o título apesar da obrigatoriedade legal.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar