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Petrobras (PETR4) nas urnas: o que 24 anos de eleições revelam — e o que muda em 2026

Atualizado em 18/09/2026 às 06:20 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A Petrobras (PETR4) costuma voltar ao centro das atenções do mercado quando a disputa pelo Palácio do Planalto ganha força, por ser uma empresa controlada pelo governo federal e ter decisões que passam por política de preços, investimentos, dividendos e alocação de capital. O histórico das últimas seis eleições, no entanto, mostra que associar ano eleitoral automaticamente a queda da ação seria uma simplificação.

Levantamento feito com dados do ProfitPro, da Nelogica, mostra que PETR4 terminou três dos seis anos eleitorais completos entre 2002 e 2022 em alta e três em queda. Na média, o papel avançou 11,5% nesses períodos, enquanto a mediana ficou em 18,8%. O desempenho no ano seguinte à eleição foi bem mais forte: média de 40,3% e mediana de 57,3%, com quatro anos positivos e dois negativos. A dispersão, porém, também é elevada: PETR4 avançou 94,4% em 2023, enquanto caiu 33,1% em 2015. Em 2026, até 17 de setembro, a ação acumula valorização de 66,44%, e o período em andamento fica fora das médias dos seis ciclos completos.

O equilíbrio entre três anos positivos e três negativos esconde movimentos relevantes dentro de cada ciclo. A abertura mensal mostra que junho terminou em queda em cinco das seis eleições completas, com retorno médio de -5,7%. Setembro também apresentou viés negativo: PETR4 recuou em quatro dos seis episódios, com média de -6,8%. Em sentido contrário, julho terminou positivo em cinco dos seis ciclos, com retorno médio de 6,4%, e outubro ficou no campo positivo em quatro das seis eleições analisadas, com ganho médio de 5,9%. Em 2026, setembro segue no campo positivo até o dia 17, com alta acumulada de 7,97%.

Segundo o analista CNPI Bruno Marin, os seis ciclos eleitorais ocorreram em ambientes muito diferentes. Em 2002, o risco percebido estava concentrado na situação do País como um todo, e não especificamente na possibilidade de interferência sobre as estatais. Em 2006, com a reeleição precificada e a economia crescendo, as estatais subiram. No ciclo seguinte, a eleição coincidiu com a capitalização de R$ 120 bilhões da Petrobras, e um ano depois a PETR4 acumulava queda de 27%. Em 2014, um estudo da FGV-EESP calculou diferença de R$ 113 bilhões no valor da companhia entre os cenários de reeleição de Dilma Rousseff e vitória de Aécio Neves; no pregão seguinte à reeleição, a ação caiu 12%. Em 2018, o roteiro se inverteu, com reação positiva à perspectiva de mudança de governo, e a ação encerrou o ano com alta de 45,9% pelos dados do levantamento. Em 2022, dividendos recordes e risco político disputaram espaço na formação do preço, e a ação caiu 8,5% no dia seguinte à vitória de Lula.

Para 2026, Marin aponta três frentes de atenção até as eleições: a política de preços, com medidas para segurar os combustíveis e defasagem do diesel; a alocação de capital, com plano 2026-2030 que prevê US$ 109 bilhões em investimentos e mantém distribuição de 45% do fluxo de caixa livre; e a própria eleição. O analista destaca ainda o cenário fundamentalista, com o Brent acima de US$ 100 no segundo trimestre, lucro de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, produção de 2,69 milhões de barris por dia e proventos de R$ 17,4 bilhões aprovados, a serem pagos após a eleição.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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