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Parolin na ONU: “Restabelecer a confiança” por meio do diálogo, da justiça e da paz

Atualizado em 29/09/2026 às 07:35 schedule 4 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O cardeal secretário de Estado vaticano Pietro Parolin discursou no sábado, 26 de setembro, durante o debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Ele transmitiu as saudações do Papa Leão XIV e afirmou que o tema deste ano — “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas a serviço de todos” — representa “um imperativo moral e político urgente”.

Segundo Parolin, “toda instituição internacional, independentemente de seu quadro jurídico, necessita da confiança mútua entre seus membros para ser eficaz”. Ele acrescentou que a confiança também se alimenta do compromisso em prol da dignidade humana. O secretário de Estado lembrou o apelo do Papa para que se passe de uma “cultura do poder” para uma “autêntica cultura da negociação”, na qual o diálogo e a diplomacia se tornem os meios naturalmente utilizados para resolver conflitos. Para ele, a paz exige verdade e justiça e deve ser construída por meio de esforços pacientes voltados ao estabelecimento de relações justas dentro das nações e entre elas.

Parolin apontou as desigualdades, a exclusão, as violações dos direitos fundamentais e o não reconhecimento dos outros como irmãos como fatores que geram conflitos. Por isso, pediu esforços renovados em prol do desarmamento, ressaltando que as preocupações legítimas com a defesa nacional não devem se transformar em uma corrida ao rearmamento. Uma parte significativa de sua intervenção foi dedicada à transformação tecnológica, em especial à inteligência artificial. Ele destacou as questões morais levantadas pelos sistemas de armas letais autônomos e afirmou que a responsabilidade pelo uso da força não pode ser transferida para as máquinas nem delegada a processos opacos ou automatizados, mas deve permanecer sob controle humano eficaz, consciente e responsável.

O cardeal abordou conflitos em andamento e pediu o fim imediato das hostilidades e o retorno à diplomacia. Sobre a Ucrânia, afirmou que, após mais de quatro anos de guerra, o número de vítimas continua aumentando, e defendeu “um cessar-fogo imediato, completo e eficaz”. Quanto ao conflito israelense-palestino, reiterou o apelo da Santa Sé para que se ponha fim à violência contra os civis palestinos na Cisjordânia e manifestou preocupação com a crise humanitária em Gaza, citando a destruição generalizada, os deslocamentos em massa e as graves carências. Ele exortou a comunidade internacional a trabalhar por uma solução de dois Estados, a fim de alcançar uma paz justa e duradoura. O secretário de Estado também mencionou emergências humanitárias em regiões como o Golfo, Mianmar, Sudão, Sudão do Sul, Somália, República Democrática do Congo, Moçambique, Venezuela e Haiti.

Parolin defendeu ainda a universalidade dos direitos humanos e a proteção dos mais vulneráveis, incluindo migrantes e refugiados. “A dignidade não depende da localização geográfica nem da condição socioeconômica”, disse, acrescentando que quem se desloca, ou é forçado a se deslocar, sempre conserva sua dignidade. Ele condenou a discriminação, a violência e a perseguição contra os cristãos e outras comunidades religiosas. Por fim, reconheceu que “o multilateralismo está em crise” e sustentou a necessidade de uma cooperação internacional renovada, com “a vontade de defender a justiça em vez de recorrer à violência; a vontade de defender o Estado de direito em vez de se submeter ao domínio; a vontade de escolher a paz em vez da destruição”.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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