Os principais momentos do debate entre Lula e Flávio na Globo
O último debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno, transmitido pela TV Globo na noite de sexta-feira, teve tom mais ameno do que o primeiro confronto entre os dois, mas também registrou momentos acalorados, ofensas e troca de acusações. O formato favoreceu a discussão de propostas: a maior parte das perguntas partiu de temas pré-estabelecidos e cada candidato permaneceu no púlpito enquanto o outro falava.
Flávio explorou temas de segurança pública e economia e procurou retratar Lula como um candidato ultrapassado. "Ele parece que parou no tempo. Infelizmente, o atual presidente da República, as ideias que ele tinha, que eram boas lá atrás, hoje não funcionam mais", afirmou. Lula, por sua vez, buscou sugerir que o adversário cortaria programas e benefícios sociais e tentou retratá-lo como candidato da elite, contrapondo sua trajetória como trabalhador da indústria à dele. A cientista política Denilde Holzhacker observou que o presidente se atrapalhou com as regras do debate e não controlou o tempo em algumas respostas, enquanto a falta de paciência de Flávio pode ter passado uma percepção de arrogância ao público.
Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Flávio provocou Lula citando o fato de ele ter nove dedos nas mãos — o presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho aos 17 anos, quando era torneiro mecânico. "Não adianta nada, Lula, o salário mínimo ser de R$ 1.621, se você dá com uma mão e tira com nove dedos", disse o senador. Lula reagiu dizendo que não permitiria "que um miliciano me chame de nove dedos" e exigiu um pedido de desculpas. Flávio se desculpou, mas aproveitou para questionar se o presidente pediria desculpas aos moradores de rua. Em outro momento, o candidato do PL voltou atrás sobre seu voto, quando deputado estadual no Rio, contra o aumento da licença-maternidade: "eu estava errado", afirmou, dizendo que hoje votaria de forma "completamente diferente".
Na segurança pública, Flávio prometeu "tratar bandido como bandido" e defendeu a redução da maioridade penal para 14 anos, além de castração química para estupradores e abusadores de crianças. Lula respondeu citando o caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta a tiros em Niterói em 2021, e questionou o fato de o senador ter atuado na defesa do policial militar acusado do disparo. Flávio manifestou solidariedade à mãe da menina, presente na plateia, e disse acreditar que o policial não foi o autor do tiro, ressaltando que ele ainda não havia sido julgado. O presidente acusou o adversário de ter ligação com milicianos no Rio, acusação que Flávio rebateu em direito de resposta, afirmando nunca ter sido investigado por envolvimento com milícia.
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