Os navios nazistas naufragados que estão emergindo no rio Danúbio
A seca extrema que atinge a Europa neste verão fez o nível do rio Danúbio cair a mínimas históricas, expondo pelo menos 20 navios de guerra alemães naufragados perto de Prahovo, no leste da Sérvia. Os cascos enferrujados e mastros quebrados são restos da frota nazista do mar Negro, deliberadamente afundada em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Com o avanço das tropas soviéticas, as forças alemãs em retirada deixaram cerca de 200 navios encalhados na região. Em setembro daquele ano, o contra-almirante alemão Paul-Willy Zieb ordenou o afundamento das embarcações para evitar que fossem capturadas pelo Exército Vermelho. A maioria permanece submersa desde então, e muitos dos navios ainda contêm armamentos que não explodiram, representando risco à navegação. A Sérvia lançou um programa estimado em 30 milhões de euros (cerca de R$ 182 milhões) para retirar parte dos destroços, mas o progresso é lento devido à complexidade da operação.
Os navios nazistas não são as únicas revelações da seca. Em agosto, a queda do nível das águas também expôs uma motocicleta do exército alemão em Budapeste, na Hungria, e uma bomba britânica de 700 kg perto de Virt, na Eslováquia, que foi detonada com segurança. Na Bulgária, surgiram restos de uma ponte romana do século 4º e ossos de mamutes com milhares de anos, recuperados por especialistas do Museu Histórico Regional de Ruse.
O fenômeno não é inédito no Danúbio, mas a intensidade do calor atual chama atenção. Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copérnico, da União Europeia, a Europa é o continente que se aquece mais rápido no mundo, com velocidade superior ao dobro da média global. O aumento das temperaturas intensifica extremos de calor e altera padrões de chuva, contribuindo para as repetidas quedas do nível do rio e prejudicando a navegação.
Operadoras de cruzeiros já cancelaram viagens, alteraram itinerários e transferiram passageiros para ônibus em trechos sem condições de navegabilidade. Para os viajantes, a paisagem revela camadas da história do continente. Como resume o organizador de viagens Kenneth Reece, que percorreu o baixo Danúbio recentemente: "O Danúbio não nos leva simplesmente para atravessar a Europa. De muitas formas, ele nos leva através da história da Europa."
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