Oposição pode controlar maioria do Senado em 2027; veja os limites desse avanço
A eleição de domingo pode alterar de forma relevante a composição do Senado. Com dois terços das cadeiras em disputa, levantamentos estaduais indicam avanço de candidatos de oposição ao governo Lula, mas os números disponíveis ainda colocam esse campo abaixo dos quóruns necessários para aprovar sozinho mudanças constitucionais ou condenar um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo de impeachment.
Das 54 vagas que serão preenchidas neste ano, 27 têm candidatos de oposição numericamente em posição competitiva, segundo as pesquisas estaduais mais recentes. Outros 23 nomes são classificados como aliados do governo e quatro como independentes, que podem votar com qualquer um dos polos, a depender do tema.
Se esses resultados fossem reproduzidos nas urnas, os 27 eleitos de oposição se somariam aos 16 senadores desse grupo cujos mandatos seguem até 2031. A bancada chegaria a 43 dos 81 integrantes da Casa, ante 34 atualmente. O número seria suficiente para uma maioria absoluta, mas permaneceria abaixo de dois outros patamares importantes: os 49 votos exigidos para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e os 54 necessários para condenar autoridades, como ministros do STF, em processos de impeachment no Senado.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, aparece com o maior número de candidatos numericamente entre os dois primeiros colocados nas pesquisas estaduais, totalizando cerca de 13 nomes. O MDB tem oito e o PT, seis, de acordo com as pesquisas mais recentes. O desempenho interessa diretamente às duas campanhas presidenciais. Flávio tem colocado a ampliação da bancada de oposição entre suas prioridades e apoiou candidaturas comprometidas com maior pressão sobre o Supremo. Lula, por sua vez, intensificou nos últimos dias pedidos de voto em candidatos aliados ao Senado e demonstrou preocupação com a possibilidade de governar sem maioria na Casa.
Apesar da projeção, a eleição para senador tem dois votos por eleitor, grande número de candidatos e níveis elevados de indefinição. Datafolha divulgado nesta quarta-feira (30) mostrou que 59% dos eleitores ainda não tinham definido nenhum dos dois votos para o Senado. Apenas 27% haviam escolhido os dois candidatos e 14%, somente um. Mesmo no cenário de 43 oposicionistas indicado pelos levantamentos, o próximo Senado teria uma maioria absoluta desse grupo, mas decisões que exigem três quintos ou dois terços continuariam dependendo de negociações com outros blocos.
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