OEA será acionada por Lula sobre interferência da Meta nas eleições
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição para a presidência da República, vai apresentar uma denúncia contra a Meta na Organização dos Estados Americanos (OEA) por interferência nas eleições brasileiras. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (14) por Camilo Santana, coordenador da campanha.
Segundo Santana, a representação à OEA é um pedido do próprio presidente e candidato à reeleição. A campanha também informou que está representando junto à Agência Nacional de Proteção de Dados. "Mais uma vez a campanha vem denunciar a interferência externa nas eleições e nós sabemos o peso que as redes sociais têm numa eleição presidencial", afirmou o coordenador.
De acordo com Santana, a campanha se reuniu com partidos e entidades de defesa da democracia de 12 países para dar alcance mundial à denúncia. Participaram do encontro entidades de Argentina, Reino Unido, Chile, Estados Unidos, Espanha e Moçambique, entre outros. "Não podemos admitir essa interferência que está ocorrendo das big techs, principalmente da Meta, nessas eleições", acrescentou.
Mais cedo, a campanha acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após constatar restrições na entrega de postagens aos usuários de plataformas da Meta, empresa dona do Instagram, Facebook, Threads e WhatsApp. Nesta quarta-feira, usuários relataram diferenças nas respostas da inteligência artificial da companhia. Em teste feito pela Agência Brasil, um pedido para gerar imagem com a palavra "Lula" e o número 13 recebeu a resposta de que não seria possível gerar o panfleto. O mesmo pedido feito em relação ao candidato Flávio gerou um cartaz com as frases "Eleições 2026", "Vote Flávio 22" e "Juntos por um futuro melhor", além de supostos programas de governo.
Em nota, a Meta informou que proibiu temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles, em cumprimento às regras eleitorais brasileiras, e que tomou medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens. A Resolução 23.755 de 2026 do TSE veda a provedores de aplicação que oferecem inteligência artificial ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, campanhas e partidos, além de emitir opiniões ou indicar preferência eleitoral. Para Ettore Arpini, especialista em governança de IA, não é possível afirmar que houve intenção da empresa de favorecer um candidato, mas eventuais falhas técnicas podem ter consequências políticas. Ele defende que o Brasil desenvolva capacidade própria de avaliar e fiscalizar a inteligência artificial.
Esta matéria foi publicada primeiro em Política · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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