O que sabemos e o que podemos supor sobre o câncer de pulmão do papa Leão XIV
O Vaticano confirmou, poucas horas após o término da cirurgia a que o papa Leão XIV foi submetido no hospital Agostino Gemelli, em Roma, que o nódulo encontrado em seu pulmão era um câncer. O boletim médico informou a retirada do lobo inferior do pulmão direito e a presença de um adenocarcinoma, com a ressalva de que o quadro era "como suspeitado pelos exames pré-operatórios".
Segundo o oncologista clínico Bruno Ribeiro Batista, do Centro de Oncologia do Paraná, ouvido para uma avaliação com base nas informações públicas, o encaminhamento direto para uma cirurgia maior, como a lobectomia, sugere que se tratava de um nódulo suspeito para neoplasia primária de pulmão, possivelmente maior que 3 centímetros. O médico supõe que a conduta rápida foi adotada porque já havia sinais de que poderia ser câncer.
O comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé não menciona tratamentos como quimioterapia ou radioterapia, nem antes nem depois da cirurgia. Para Batista, isso indica que, se não houve comprometimento do mediastino — o compartimento no centro do tórax, entre os dois pulmões —, o câncer estaria em estágio inicial. Ele ressalta, no entanto, que se trata de suposição. O oncologista lembra que a quimioterapia prévia à cirurgia costuma ser feita em casos de câncer de pulmão a partir do estádio II e III, em uma escala que vai de I a IV.
Ainda faltam peças importantes para um quadro mais exato. Não se sabe o tamanho exato do tumor, o estadiamento clínico, a necessidade de quimioterapia ou radioterapia, nem quando o papa fez os exames que detectaram o nódulo. Batista avalia que, muito provavelmente, o papa foi diagnosticado com adenocarcinoma de pulmão em estádio clínico I, o que poderia levar a uma boa notícia: se a cirurgia foi bem-sucedida e o caso for realmente de estádio inicial, ele pode estar curado apenas com a operação.
O Vaticano tem sido mais transparente sobre a saúde dos pontífices desde a doença de João Paulo II, mas não há obrigação de divulgar absolutamente tudo. As informações serão conhecidas conforme o papa e seus médicos julgarem necessário.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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