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O que os setores de comércio e serviços querem para a economia no próximo governo

Atualizado em 13/10/2026 às 08:35 schedule 4 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Os setores de comércio e serviços, que respondem por dois terços da economia brasileira, vêm perdendo fôlego diante da desaceleração da demanda e do estreitamento das margens financeiras. Em meio ao debate eleitoral que avançou para o segundo turno, representantes do segmento apresentaram suas principais demandas para a próxima gestão.

O comércio, que havia crescido 4,7% em 2024, desacelerou para 1,6% nos sete primeiros meses de 2026. Os serviços seguiram trajetória semelhante, passando de expansão de 3,1% em 2024 para 1,9% no mesmo período deste ano. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor tem registrado expansão média inferior a 2% ao ano. O cenário reflete o impacto da alta taxa de juros sobre o caixa das empresas: entre as 40 maiores companhias de bens de consumo e varejo, as despesas financeiras consumiram 45% do Ebitda em 2025, ante 20% em 2023 e 33,3% em 2024, conforme a FecomercioSP. No segundo trimestre deste ano, os pedidos de recuperação judicial cresceram 58% na comparação com o mesmo período de 2023. Das mais de 6 mil empresas em recuperação, 21% eram do comércio. Os serviços correspondem a 55,4% dos 8,8 milhões de CNPJs negativados no país, seguidos pelo comércio, com 32,6%.

Diante desse quadro, os representantes priorizam um ambiente de negócios seguro, estável e previsível. A redução da taxa de juros está no centro das demandas, por elevar o custo do capital e contrair as margens, reduzindo investimentos, afirma Antonio Lanzana, presidente do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política da FecomercioSP. O endividamento das famílias também limita o consumo. Para reverter a desaceleração — com projeção de crescimento de 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027 —, Lanzana defende um ajuste fiscal e alerta que a relação entre dívida e PIB passou de 71,7% em dezembro de 2022 e deve encerrar este ano perto de 84%. Ele destaca a necessidade de mudar o regime fiscal e gerar superávit primário estimado de 2% a 2,5% do PIB.

As discussões trabalhistas também estão entre as agendas sensíveis. Segundo a CNC, o debate sobre a escala 6×1 pode gerar impactos para pequenas e médias empresas, com possíveis reflexos nos preços ao consumidor, e a entidade defende mudanças com segurança jurídica e diálogo institucional. Na Reforma Tributária, a CNC reivindica neutralidade da carga e uma política de socorro ao caixa das empresas, além de que o comitê defina e divulgue objetivamente as taxas a serem praticadas. A entidade avalia que o controle de remessas internacionais pelo Programa Remessa Conforme foi um avanço contra a concorrência desleal, mas critica o fim do imposto de importação sobre compras de até 50 dólares, confirmado pelo Congresso em setembro, por criar assimetria competitiva prejudicial às empresas locais.

A retomada do crescimento estrutural exige, segundo a FecomercioSP, aumento da taxa de investimento — que atingiu 16,1% no segundo trimestre de 2026 — e dos investimentos em infraestrutura, hoje pouco acima de 2%, contra média mundial de 4,5%. A entidade defende maior abertura comercial para elevar a produtividade, citando que a agropecuária, mais aberta, registrou ganho de 491% nos últimos 30 anos, enquanto a indústria, mais protegida, recuou 9%. A agenda inclui ainda qualificação de mão de obra, infraestrutura tecnológica e regulatória para a Inteligência Artificial e aprovação rápida de uma reforma administrativa. Lanzana avalia que a questão fiscal tem sido tratada de forma superficial pelos candidatos, e a CNC afirma que a agenda foi levada aos candidatos e será entregue à equipe de transição do governo eleito, com respaldo de mais de mil sindicatos e 34 federações.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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