O que os pais podem ensinar aos filhos durante a eleição
Em períodos eleitorais, a atenção do país se volta para propostas, declarações e confrontos entre candidatos. Mas há outra dimensão do processo que costuma passar despercebida: o que as crianças aprendem ao acompanhar não apenas o debate político, mas também a reação dos adultos a ele.
Segundo a pedagoga e psicopedagoga Miriã Salles, crianças e adolescentes não escutam apenas o que os adultos dizem — observam sobretudo o comportamento deles. Elas percebem como os adultos reagem no trânsito, tratam quem os atende no mercado, lidam com uma derrota e se comportam nas redes sociais. A aprendizagem por observação, apontada pelos estudos do psicólogo Albert Bandura, indica que as atitudes dos adultos integram o repertório com que a criança interpreta situações e faz escolhas.
Para a autora, as eleições podem ser uma oportunidade de humanizar as relações. Não é preciso esconder posições nem simular unanimidade diante das crianças: é possível mostrar que pessoas com ideias diferentes não precisam se tornar inimigas e que escutar não significa concordar. A tolerância, porém, não exige passividade — ideias devem ser examinadas e questionadas sem reproduzir a desumanização que se condena.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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