O que mudou nas campanhas de Lula e Flávio após o primeiro turno?
A dez dias do segundo turno, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotaram estratégias distintas para a reta final. O presidente reorganizou a estrutura da campanha e tenta deslocar o discurso do legado de governos anteriores para propostas de futuro. Flávio, que terminou o primeiro turno à frente, passou a falar com mais frequência sobre como seria um eventual governo.
Lula iniciou o segundo turno reconhecendo problemas na primeira etapa. Em reunião com aliados, classificou a campanha como a menos organizada de que participou desde 1989 e ouviu cobranças para aparecer mais nas redes sociais e falar menos do passado. A mudança já aparece nas ações desta semana: o presidente anunciou medidas voltadas a microempreendedores, crédito e endividamento, além de defender propostas como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública.
No primeiro turno, a campanha petista concentrou parte relevante da comunicação nas realizações dos governos anteriores de Lula, o que pode ter deixado pouco espaço para uma proposta clara de futuro, enquanto Flávio explorava temas ligados ao cotidiano, como custo de vida, endividamento e segurança. Depois das urnas, o PT passou a recalibrar a estratégia. Lula ampliou atos de rua, aumentou a presença em vídeos curtos e passou a dar mais espaço a segurança, emprego, pequenos negócios e renda. A campanha também pretende concentrar agendas no Sudeste, especialmente São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Flávio seguiu direção diferente. Nos últimos dias, passou a detalhar mudanças que pretende propor logo no início de um eventual mandato, entre elas o fim da reeleição, a redução da maioridade penal, a reforma do Judiciário e alterações na reforma tributária. Também cresceu a discussão sobre a composição de seu eventual ministério. Ao menos cinco grupos políticos e econômicos disputam espaço em uma futura administração, segundo a Folha de S. Paulo. Entre os nomes citados estão integrantes do governo Tarcísio de Freitas, ex-auxiliares de Paulo Guedes e figuras ligadas ao bolsonarismo.
Na área econômica, Flávio ainda não anunciou quem comandaria a Fazenda, mas técnicos ligados à campanha já elaboram propostas sobre corte de gastos, arrecadação e mudanças tributárias. Roberto Campos Neto, Marcelo Kayath e Mansueto Almeida estão entre nomes mencionados nas discussões, segundo o UOL. Daniella Marques também aparece cotada para uma área social ampliada em eventual governo. A composição do novo Congresso entrou no discurso do candidato do PL, que afirmou pretender aproveitar o capital político de um presidente recém-eleito para encaminhar mudanças constitucionais. Para aprovar uma PEC, são necessários 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos em cada Casa.
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