O que Flávio Bolsonaro e Lula propõem sobre o Bolsa Família
O Bolsa Família, criado em 2003 no primeiro governo Lula (PT) a partir da unificação de programas como Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e Cartão Alimentação, chega à disputa presidencial de 2026 como um dos principais temas da campanha. Atualmente, 19,28 milhões de beneficiários recebem o programa, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
O programa passou por mudanças ao longo dos governos. Em 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), o Bolsa Família foi substituído pelo Auxílio Brasil, que alterou a estrutura e os benefícios. No ano seguinte, em meio ao período eleitoral, o valor mínimo do benefício foi elevado de R$ 400 para R$ 600. Após voltar à Presidência, Lula retomou o nome Bolsa Família em 2023 e manteve o piso de R$ 600, sem reajuste até setembro deste ano, quando o governo anunciou aumento de 15,04%, elevando o benefício mínimo para R$ 691, a cerca de duas semanas do primeiro turno. O governo justificou a correção pela inflação acumulada desde 2023, apesar das críticas de que a medida teria caráter eleitoreiro.
Lula trata o Bolsa Família como uma das principais políticas de combate à fome e à pobreza de seus governos. Em entrevista à Rádio Itatiaia em 17 de setembro, afirmou que pretende mantê-lo enquanto houver pessoas que precisem da transferência de renda. "Vamos continuar mantendo o Bolsa Família, sonhando que, um dia, não se precise mais. Para isso, a economia vai ter que crescer, vamos ter que gerar empregos de qualidade e continuar investindo em educação. Mas, enquanto precisar, no meu governo vai ter", disse. Em 30 de setembro, em entrevista a influenciadores exibida no YouTube, reforçou que não quer um país em que as pessoas dependam do programa. No plano de governo para 2026, promete "manter, aperfeiçoar e ampliar" as políticas de proteção social e transferência de renda, sem estabelecer novo valor para o benefício, com destaque para os benefícios destinados a crianças e adolescentes.
Flávio Bolsonaro já foi crítico de programas de transferência de renda e, em 2011, chamou de "bolsa-farelo" uma iniciativa semelhante do governo do Rio de Janeiro. Após a chegada do pai à Presidência, em 2019, suas manifestações passaram a ser mais favoráveis, segundo levantamento da AP Exata Inteligência a partir de publicações do parlamentar no X. Em fevereiro deste ano, afirmou que "programas como o Bolsa Família serão mantidos enquanto as pessoas precisarem do Estado". Em junho, chamou o programa de "direito adquirido" e defendeu mudanças para que quem aumenta a renda não tenha medo de perder imediatamente o benefício. Recentemente, criticou o reajuste anunciado por Lula, dizendo que o presidente tentava "comprar o voto dos pobres", mas afirmou que manteria o novo valor caso fosse eleito. Em seu plano de governo, não cita nominalmente o Bolsa Família, mas promete manter os programas sociais existentes, "com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes".
Os beneficiários do Bolsa Família formam um dos grupos em que Lula tem maior vantagem sobre Flávio nas pesquisas de intenção de voto. Na Quaest divulgada em 28 de setembro, o petista aparecia como preferência de 59% dos beneficiários do programa, contra 27% de Flávio no segundo turno.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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