O que falta para crescimento da Argentina? Para analistas, recuperação segue frágil
A economia da Argentina segue dando sinais mistos de recuperação. De um lado, melhoram indicadores de comércio exterior e disciplina fiscal; de outro, a demanda doméstica, o mercado de trabalho e o consumo continuam fracos. A avaliação consta de relatórios do Itaú BBA e do Bradesco BBI, que apontam desafios para consolidar um ciclo mais robusto de crescimento.
O Itaú BBA destaca que a atividade econômica medida pelo EMAE, prévia mensal do PIB, subiu 0,8% em junho ante maio, interrompendo duas quedas consecutivas. Apesar disso, o PIB encolheu 0,9% no segundo trimestre na comparação com o trimestre anterior, revertendo a expansão de 0,7% do início do ano. Na comparação anual, o EMAE cresceu 2,7% em junho, acima das projeções, mas o crescimento médio do segundo trimestre desacelerou para 1,3%, ante 2,3% no primeiro.
A recuperação é pouco homogênea entre setores. As atividades primárias cresceram 9,1% na comparação anual, impulsionadas pela safra agrícola, e a construção civil avançou 1,8%, em ritmo menor que o trimestre anterior. Já a indústria de transformação recuou 2,1%, e o setor de serviços caiu 0,1%, após alta de 1,1% no início do ano. No mercado de trabalho, os salários reais do setor privado caíram 2,8% no segundo trimestre, e o emprego formal registrou a 24ª queda anual consecutiva em maio. A confiança do consumidor também cedeu, com o componente de intenção de compra de bens duráveis e imóveis mostrando a maior deterioração.
O setor externo, porém, segue como suporte importante. Em julho, o superávit comercial foi de US$ 2,1 bilhões, e o acumulado em 12 meses chegou a US$ 23,7 bilhões. As exportações avançaram 24,5% na comparação anual, com destaque para o setor de energia, cujo superávit acumulado atingiu US$ 10,8 bilhões. O Itaú BBA mantém projeção de crescimento de 2,8% para o PIB em 2026, mas vê riscos inclinados para baixo diante da demanda enfraquecida.
O Bradesco BBI, após reuniões em Buenos Aires, avalia que o ambiente político segue favorável ao presidente Javier Milei, com a tese de reeleição preservada, embora dependa mais da fragmentação da oposição do que de uma aceleração consistente da atividade. O banco vê sinais iniciais de estabilização no ciclo de crédito, mas mantém recomendação Underweight para ações argentinas, especialmente do setor financeiro, por considerar prematuro um otimismo sem evidências mais claras de crescimento sustentável do crédito.
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