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O que é o mistério da assimetria da vida que rendeu Nobel de Química a cientistas

Atualizado em 08/10/2026 às 12:50 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Prêmio Nobel de Química foi concedido ao cientista francês Henri B. Kagan e ao japonês Kenso Soai por seus trabalhos que ajudaram a explicar o mistério químico da assimetria da vida. Os pesquisadores descobriram como a natureza produz exclusivamente a versão correta de uma molécula, em vez de sua imagem espelhada.

As moléculas de aminoácidos, os blocos de construção das proteínas, existem em duas formas que são imagens espelhadas uma da outra. No entanto, os organismos vivos na Terra funcionam apenas com uma dessas formas. Na química orgânica, essa propriedade é conhecida como quiralidade: moléculas quirais podem existir em versões "destras" e "canhotas", que são reflexos uma da outra, como as mãos humanas. Enquanto a natureza produz quase exclusivamente a versão necessária para o seu funcionamento, as reações químicas em laboratório geralmente criam uma mistura de 50% de moléculas "destras" e 50% de moléculas "canhotas".

Essa diferença é particularmente importante na produção de medicamentos, porque cada versão se comporta de maneira diferente ao interagir com o organismo. Uma versão pode ter propriedades de combate a doenças, enquanto a outra não faz nada ou até mesmo causa danos. O desenvolvimento do medicamento Talidomida é um exemplo: na década de 1950, ele era prescrito para mulheres grávidas que sofriam de enjoos matinais, mas trata-se de uma molécula quiral — a versão "destra" é um tratamento eficaz, enquanto a "canhota" é tóxica. O medicamento original administrado era uma mistura dos dois, e descobriu-se posteriormente que o corpo era capaz de convertê-los. Como resultado, milhares de crianças, filhas de mulheres que tomaram o medicamento, desenvolveram deficiências graves.

Ao desvendar o mistério da quiralidade, Henri Kagan e Kenso Soai descobriram como projetar reações químicas para produzir muito mais da versão desejada de uma molécula. Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química, explicou que os laureados forneceram uma solução para um mistério químico com mais de um século: como a homoquiralidade — a produção seletiva da versão correta de uma molécula — pode surgir espontaneamente. "As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares", afirmou.

Henri Kagan, da Universidade Paris-Sud, descobriu em 1986 uma nova forma de manipular reações químicas, permitindo criar um excesso maior de uma das imagens espelhadas do que se acreditava ser possível anteriormente. Kenso Soai, da Universidade de Ciências de Tóquio, deu o próximo passo em 1995, ao publicar na revista Nature o primeiro artigo descrevendo uma reação química com potencial para ser homoquiral. Em 2003, ele finalmente conseguiu controlar uma reação na qual apenas uma das duas imagens espelhadas possíveis era formada. Em comunicado, o Comitê Nobel afirmou que, "além da própria vida, ninguém havia alcançado esse feito anteriormente". Em entrevista coletiva por telefone, Soai disse: "Este é um dos dias mais emocionantes da minha vida."

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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