O que diz carta de parlamentares dos EUA que acusam governo Trump de interferência nas eleições brasileiras
Um grupo de mais de 30 parlamentares democratas e independentes dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na qual acusa o governo americano de promover uma "campanha de interferência" nas eleições brasileiras. No documento, os signatários pedem que o governo dos EUA se comprometa a reconhecer o resultado do pleito de outubro.
Entre os que assinam a carta estão o senador Bernie Sanders, que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez.
O texto cita como exemplo de interferência as tarifas e sanções impostas pelo governo americano. Segundo os parlamentares, essas medidas teriam sido adotadas com o objetivo de tentar influenciar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado em setembro por golpe de Estado e outros quatro crimes.
A carta também questiona a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior do Departamento de Estado para assuntos relacionados ao Brasil. De acordo com os signatários, Beattie tem um "histórico de declarações públicas que sinalizam um compromisso ideológico explícito com o enfraquecimento das instituições democráticas brasileiras".
O documento menciona ainda a decisão dos EUA de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como terroristas, após atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O anúncio ocorreu em maio, dias depois de Flávio ser recebido pelo presidente Donald Trump na Casa Branca, quando pediu que as facções brasileiras fossem designadas organizações terroristas. Na mesma semana, ele também se reuniu com Rubio.
Na época, o secretário de Estado americano afirmou que o CV e o PCC "são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil". Em julho, dois funcionários do Departamento de Estado tiveram pedidos de visto para visitar o Brasil negados — situação lembrada na carta. O governo Lula acusou os funcionários de tentar lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, e os Estados Unidos classificaram a acusação como infundada. Os parlamentares criticaram ainda a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti.
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