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O jogral eleitoral do governo

Atualizado em 26/08/2026 às 16:50 schedule 3 min de leitura visibility 27 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O cenário econômico brasileiro é alarmante, mas isso não teve até agora a devida repercussão na corrida presidencial. O principal fator a ser levado em conta na escolha do eleitorado sempre é a avaliação da gestão presente: ela deve continuar ou dar lugar a outra? É simples assim: o parâmetro central para a definição do voto. Mas, atualmente — e cada vez mais na história recente —, a eleição se parece mais com um concurso de frases bonitas, pegadinhas bem aplicadas, performances instagramáveis e tudo menos a aferição objetiva da gestão governamental. O falatório de políticos e autoridades substituiu os fatos.

No menosprezado campo dos fatos, sem o diversionismo dos apelos à soberania e os alarmes salvacionistas (que servem para o cerceamento da crítica nas redes), o governo Lula encontra-se reprovado por si mesmo — pelo menos no campo do que é feito com o dinheiro do pagador de impostos, que é quase tudo na vida de um mandatário. A deterioração macroeconômica é grave e visível por qualquer um a olho nu. Num quadro em que a inadimplência já atinge 9,1 milhões de empresas no país, com recorde de 232 bilhões de reais de dívidas em atraso, as perspectivas para 2027 são bastante preocupantes. Parece um tanto enigmático que a crise no varejo nacional — envolvendo gigantes como as Casas Bahia — não estabeleça um imediato nexo causal com a gestão petista.

Grandes bancos já se preparam para o aumento generalizado do calote — montando uma retaguarda de mais de 90 bilhões de reais, segundo analistas de mercado. Ninguém nega a escalada de deterioração do crédito, e as origens estão onde o debate político não mira satisfatoriamente: juros altos (em trajetória suave — e não muito transparente — de declínio) e inflação persistentemente fora da meta, apesar das teses de que isso seja só uma “sensação”. E de onde vem esse binômio deletério? Vem essencialmente da expansão dos gastos públicos — ou seja, daquilo que Armínio Fraga chamou de “chute no pau da barraca” desferido por Lula. O “apetite por gastos da máquina pública”, conforme descrito pela Infomoney, “devora a receita extra” tanto do petróleo quanto dos impostos. Essa é a gestão que, segundo o próprio Armínio e outros economistas experientes, aponta o país para uma recessão no ano que vem. Como se não bastasse, o FMI projeta a dívida pública alcançando 100% do PIB (também para 2027) — como resultado do mesmo coquetel amargo: déficit recorrente, resultante do expansionismo fiscal, juro alto e consequente crescimento baixo. Parece realmente estranho que a campanha eleitoral não seja dominada por essa questão: quem colocou o país nesse atoleiro e quem pode tirá-lo de lá. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad declarou que não tem nada com isso: “Pegamos as contas muito desarrumadas pelo Bolsonaro”. Já seu sucessor na pasta diz que problemas como a alta taxa de juros precisam ser solucionados “na próxima gestão”. Vejamos até quando a oposição e o restante da sociedade vão assistir a esse jogral eleitoral.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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