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O efeito Trump: eleições adicionam novos riscos às ações que o governo possui

Atualizado em 30/08/2026 às 19:35 schedule 3 min de leitura visibility 31 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Os ganhos expressivos registrados por ações de empresas que receberam investimentos do governo dos Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump, podem enfrentar novos riscos com a aproximação das eleições de meio de mandato. Pesquisas indicam que o Partido Democrata tem chances de conquistar a maioria em pelo menos uma das casas do Congresso, o que, na avaliação de estrategistas de mercado, pode submeter essas participações acionárias a um escrutínio mais rígido em Washington e nos tribunais.

O governo americano adotou uma estratégia sem precedentes ao assumir participações em empresas de capital aberto, o que impulsionou os preços dos papéis. A Intel Corp., por exemplo, viu suas ações dispararem mais de 300% desde que surgiram negociações para o governo assumir uma fatia na fabricante de chips. A MP Materials Corp. subiu 87% após o Departamento de Defesa investir US$ 400 milhões na mineradora de terras raras, e a Trilogy Metals Inc. ganhou 73% depois que o governo concordou em adquirir 10% da empresa canadense de exploração mineral.

Esses ganhos, no entanto, vieram em grande parte em surtos e já mostraram reversão. As ações da Trilogy Metals, que saltaram de US$ 2,09 para US$ 10,60 em poucos dias após o anúncio do acordo, agora são negociadas a US$ 3,62. A MP Materials caiu quase 27% no ano, e a Intel recuou 37% desde junho, quando atingiu o pico após declarações de Trump sobre uma parceria com a Apple Inc. para produção de semicondutores nos EUA.

O ceticismo em torno desses papéis é alimentado por um processo de acionistas contra o conselho da Intel, o Departamento de Comércio e o secretário Howard Lutnick, que busca desfazer a posição do governo na empresa. Os autores alegam que o Chips Act não autoriza o governo a exigir participação acionária como condição para receber subvenção, classificando o acordo como uma violação de deveres fiduciários. Lutnick pediu a rejeição do caso, argumentando que o acordo é autorizado por lei federal e importante para a base industrial de defesa. Uma decisão desfavorável ao governo poderia colocar em questão outros investimentos feitos sob o Chips Act, incluindo participações na IBM e na GlobalFoundries.

Analistas apontam que, se os democratas assumirem o controle do Senado ou da Câmara, podem realizar audiências e convocar testemunhas para investigar empresas com laços com o governo Trump. A senadora Elizabeth Warren, que pode presidir o Comitê Bancário do Senado, já questionou Lutnick sobre o investimento na Intel. Especialistas alertam que o risco de litígios pode ser ainda maior que o eleitoral, e que a estratégia do governo de escolher vencedores, em vez de resgatar empresas em dificuldade como no caso da General Motors em 2009, torna o momentum dos preços das ações mais vulnerável a mudanças de humor do mercado.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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