O diretor de escola que salvou 900 estudantes das inundações no Nepal
O diretor de uma escola no Nepal decidiu evacuar cerca de 900 alunos para uma área mais elevada após receber uma série de alertas sobre o risco de inundação na região. Rajendra Dawadi, diretor da Escola de Ensino Médio Tribhuvan Trishuli, em Nuwakot, contou à BBC que recebeu quatro avisos de pessoas diferentes em poucos minutos, incluindo relatos de que as águas já haviam atingido o povoado de Betrawati, rio acima.
"Decidi que não deveria mais esperar. Mesmo que a enchente não chegasse, tratava-se apenas de um dia de aula", relatou. Durante a evacuação, Dawadi viu um alojamento a cerca de 100 metros do rio ser tomado pelas águas. "Se tivéssemos tomado essa decisão 10 minutos mais tarde, nenhum de nós — nem eu, nem os alunos — estaria aqui hoje", afirmou.
Uma das estudantes salvas foi Yunisha, de 16 anos, que disse ter escapado por uma diferença de apenas 10 segundos. "Em pouquíssimo tempo, o mercado foi levado pela água diante dos meus olhos", contou. A mãe da jovem, Sabina Shrestha, passou horas tentando contato com a filha após saber da inundação. "Eu estava em pânico. Tentei ligar várias vezes para minha filha e para o pai dela, mas não consegui falar com nenhum dos dois", detalhou. A família só ficou aliviada quando Yunisha voltou para casa, três dias depois.
A inundação, ocorrida na quarta-feira (26/8), matou pelo menos 794 pessoas no Nepal, com mais de 2,5 mil desaparecidas, segundo autoridades locais. No Tibete, o número oficial de mortos é de 16, com 546 desaparecidos, conforme a mídia estatal chinesa. Há informações de cidadãos desaparecidos de Índia, China, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido, Canadá, Coreia do Sul, África do Sul, Portugal, Holanda e Nova Zelândia.
Um especialista em inundações alertou que uma segunda enchente pode ter impactos graves mesmo sendo menor que a primeira. Jeff Da Costa, pesquisador da Universidade de Reading, no Reino Unido, explicou que os detritos bloquearam rios e formaram novos lagos, e que a infraestrutura da região está gravemente danificada. Ele defendeu que China e Nepal compartilhem informações de monitoramento, já que "o que acontece num lugar pode afetar rapidamente as pessoas do outro lado da fronteira".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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