O comunismo não destrói só economias — ele destrói a alma humana
O artigo assinado por Liana Graham e Ashley Reese, publicado pelo The Daily Signal e reproduzido pela Gazeta do Povo, sustenta que o comunismo não se limita a um modelo econômico fracassado: ele também produz efeitos profundos sobre a dignidade, a esperança e a responsabilidade individual das pessoas submetidas a esses regimes. As autoras partem de uma entrevista recente do influenciador político Hasan Piker, que elogiou aspectos da antiga Iugoslávia socialista, para contrastar essa visão com o relato de quem viveu sob o sistema.
O texto cita o livro Como Sobrevivemos ao Comunismo e Até Rimos, de Slavenka Drakulić, publicado em 1992, que reúne histórias do cotidiano sob o comunismo na Europa Oriental. Entre os relatos está o de Tanja, amiga da autora que, após a morte do amante e a destruição de sua reputação jornalística por criticar moderadamente a nacionalização, cometeu suicídio. Drakulić descreve a falta de perspectiva como marca da vida sob o regime: segundo ela, o comunismo incutiu a imobilidade, a ausência de futuro e a impossibilidade de imaginar vidas diferentes.
As autoras também recorrem ao psiquiatra e sobrevivente do Holocausto Viktor Frankl, que em Em Busca de Sentido concluiu que a esperança era o elemento que permitia aos prisioneiros preservar a dignidade e a vontade de viver mesmo em condições bárbaras. Na avaliação do artigo, vidas comuns — não apenas as de dissidentes políticos — foram esmagadas sob os regimes socialistas, como mostra o relato de Drakulić sobre pessoas que simplesmente não suportaram mais.
O texto relaciona ainda a concentração de poder estatal à perda do senso de autonomia dos cidadãos, que passam a se comportar como se o espaço público não pertencesse a ninguém. Drakulić descreve pequenos atos de negligência — a destruição de cabines telefônicas, máquinas de bilhetes e flores de parques — como expressão de frustração, com a deterioração das cidades como resultado dessa guerra silenciosa.
Para as autoras, o comunismo é economicamente insustentável, como demonstraria o fracasso da URSS e de seus Estados-satélites, mas seu custo espiritual seria ainda mais profundo. Elas retomam a advertência de Drakulić de que se pode ter sobrevivido ao comunismo sem tê-lo superado, porque a ideologia se infiltra na mente e na alma de quem é forçado a viver sob seu regime. Liana Graham é assistente de pesquisa em Políticas Domésticas na Heritage Foundation, e Ashley Reese integra o Programa de Jovens Líderes da mesma fundação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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