O cirurgião do Papa: não há contraindicações médicas para viajar à América do Sul
O professor Stefano Margaritora, cirurgião que operou o Papa Leão XIV no último dia 13 de outubro, afirmou em entrevista à mídia vaticana que não há contraindicações médicas para a viagem apostólica do Pontífice à América Latina, prevista para o período de 6 a 17 de novembro. Margaritora é professor de Cirurgia Torácica na Universidade Católica do Sagrado Coração e diretor da Unidade de Cirurgia Torácica da Fundação Hospital Universitário Agostino Gemelli (IRCCS).
Segundo o médico, no momento da alta hospitalar o Papa apresentava condições clínicas absolutamente satisfatórias, com exames de sangue e função cardíaca normais. A reexpansão do pulmão após a cirurgia, disse, progride conforme o esperado. A cirurgia durou cerca de 90 minutos, foi realizada com técnica videoassistida e retirou o lobo inferior do pulmão direito, sem complicações. Questionado sobre a convalescença, Margaritora estimou que uma recuperação física verdadeiramente completa leva cerca de duas semanas e que, passada quase uma semana do procedimento, o Papa deve estar totalmente recuperado em cerca de dez dias.
O cirurgião relatou que a descoberta do adenocarcinoma de pulmão foi casual, durante exames abdominais de rotina que visualizaram uma pequena mancha na base do tórax. Ele destacou a importância da prevenção, lembrando que o câncer de pulmão em estágios iniciais costuma ser assintomático — como no caso do Pontífice, que não apresentava sintomas respiratórios. Por isso, defendeu exames preventivos periódicos para a população em geral, especialmente para os grupos de risco.
Sobre a operação, Margaritora a classificou como de rotina do ponto de vista técnico, já que, em casos semelhantes de tumor pulmonar de determinado tamanho, remove-se todo o lobo que o contém. Ainda assim, disse ter vivido um conflito entre realizar um procedimento que já fez milhares de vezes e operar um Papa pela primeira vez na história moderna em uma cirurgia para retirar tumor maligno. "Senti uma emoção profunda que não consigo descrever", afirmou. Ele contou que, ao entrar na sala de cirurgia, apresentou a equipe ao Pontífice como a "equipe dos sonhos", e o Papa sorriu.
O médico descreveu Leão XIV como um paciente exemplar: sempre calmo e sorridente, com pouquíssimas queixas diante da dor, que seguiu todas as orientações dietéticas e de fisioterapia e que, no segundo dia após a operação, fazia um pouco mais do que o solicitado. "Foi realmente louvável", disse Margaritora, acrescentando que a assistência prestada foi mínima devido à vontade do Papa de ter uma recuperação rápida.
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