O caso da herdeira alemã acusada de encomendar o sequestro dos próprios filhos que levou a um escândalo de espionagem
Christina Block, herdeira de uma rede de churrascarias, é julgada há 15 meses por um tribunal de segurança máxima em Hamburgo, acusada de contratar uma empresa israelense de segurança para sequestrar os próprios filhos na Dinamarca. O caso, que envolve uma longa disputa pela guarda das crianças com o ex-marido, Stephan Hensel, desencadeou o maior escândalo de espionagem da Alemanha na história recente.
Segundo os promotores, a operação foi organizada por Block e pelo advogado da família, Andreas Costard, e executada por um cidadão israelense identificado apenas como Jonathan G e outras cinco pessoas. O sequestro teria ocorrido durante as comemorações do Ano-Novo de 2023 para 2024, quando vários homens emboscaram e agrediram Hensel e arrastaram o menino e a menina, então com 10 e 13 anos, para dentro de um carro. Perto da fronteira com a Alemanha, o grupo teria trocado de veículo, colocado fita adesiva na boca das crianças e amarrado as mãos da menina. Elas teriam sido mantidas em um motorhome em Baden-Württemberg contra a própria vontade até 2 de janeiro de 2024, quando a mãe chegou para buscá-las e as levou para sua casa em Hamburgo.
Block, Costard e Jonathan G são acusados de sequestro de menores, lesão corporal grave e cárcere privado. O companheiro de Block, Gerhard Delling, ex-apresentador de programas esportivos na TV, e outras três pessoas são acusados de cumplicidade. Todos negam irregularidades, com exceção de Jonathan G, que admitiu o envolvimento, mas disse ao tribunal que acreditava participar de uma operação de resgate. A defesa de Block sustenta que a equipe israelense agiu por iniciativa própria; ela afirmou ao tribunal que o episódio foi "uma catástrofe" e que nunca desejou algo semelhante. Já o chefe da equipe de segurança, David Barkay, que não é réu no julgamento, disse que Block e Costard sabiam da operação.
O caso ganhou outra dimensão com a prisão, neste mês, de August Hanning, ex-chefe do serviço de inteligência alemão, sob suspeita de traição e espionagem. A detenção ocorreu após buscas em sua casa durante as investigações sobre o caso Block, quando os investigadores encontraram indícios de que ele teria participado da compra de cerca de 2 mil documentos de seu ex-chefe de gabinete e, posteriormente, repassado segredos de Estado a potências estrangeiras. Não foi especificado qual potência estrangeira estaria envolvida nem a quem ele teria entregado os segredos. Aos 80 anos, Hanning está preso; seu advogado afirma que ele é "perseguido injustamente" e que as acusações são "infundadas".
A suposta ligação de Hanning com o caso diz respeito a uma tentativa anterior, em 2022, de sequestrar as crianças e levá-las de volta da Dinamarca. Os promotores afirmaram que ele foi responsável por organizar a contratação de seguranças enviados ao país junto com Christina Block, mas ele não é acusado no processo atual. O julgamento em Hamburgo está suspenso por duas semanas — um dos vários adiamentos ao longo dos últimos 15 meses. O mais recente ocorreu porque uma testemunha, a atual esposa de Stephan Hensel, não compareceu ao tribunal.
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