Nossa Senhora Aparecida: por que a santa envolvida em polêmica eleitoral é a padroeira do Brasil?
Nossa Senhora Aparecida voltou ao centro do debate público em meio à polêmica eleitoral envolvendo um suposto movimento de setores evangélicos para alterar, por projeto de lei, o status da santa como padroeira do Brasil. Nas redes sociais, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva associaram a proposta ao senador Flávio Bolsonaro, que negou a ligação e classificou a informação como falsa. O caso foi levado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu publicações que associassem o senador à proposta.
A devoção tem origem no século 18. Nossa Senhora Aparecida é o nome dado a uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, feita de terracota, com 36 centímetros de altura e 2,5 quilos, encontrada em outubro de 1717 por três pescadores no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo. O episódio foi considerado um milagre, e outros relatos se somaram a ele. A pequena capela erguida em 1745 para abrigar a imagem passou a atrair cada vez mais romeiros, e o local se transformou na cidade de Aparecida.
Hoje, Aparecida é o principal ponto de turismo religioso do país. Cerca de 12 milhões de romeiros visitam anualmente o Santuário Nacional, que já recebeu três papas: João Paulo 2º, Bento 16 e Francisco. No feriado dedicado à santa, o local costuma receber 200 mil pessoas.
A devoção demorou a se espalhar pelo território nacional. Segundo o teólogo e filósofo Fernando Altemeyer Júnior, professor da PUC-SP, a fama se ampliou com o trabalho dos missionários redentoristas, que iniciaram os serviços em Aparecida em 1895, e depois com a construção da Rodovia Dutra. Antes, a devoção estava concentrada no Vale do Paraíba e no Sul de Minas.
A coroação oficial da santa como Rainha do Brasil ocorreu em 1904, em cerimônia com um representante do papa. A imagem só foi declarada oficialmente padroeira do Brasil em 16 de julho de 1930, por decreto do Papa Pio 11º.
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