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Mercado de certificados pode destravar a descarbonização das companhias aéreas

Atualizado em 17/10/2026 às 08:35 schedule 4 min de leitura visibility 4 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A produção global de combustível de aviação sustentável (SAF) deve alcançar 2,4 milhões de toneladas em 2026, volume que corresponde a apenas 0,8% do querosene de aviação que o setor espera consumir no ano. O dado evidencia a distância entre a oferta atual e os compromissos de descarbonização plena assumidos pelas companhias aéreas para 2050, quando a demanda projetada chega a cerca de 500 milhões de toneladas anuais — o que exigiria um aumento de aproximadamente 200 vezes na produção em relação ao nível previsto para 2026.

Um estudo divulgado pela Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA), pela Airbus e pela consultoria Accenture aponta que os Certificados Ambientais (EAc) do SAF podem simplificar essa transição. O SAF é a principal alavanca para descarbonizar o transporte aéreo, e cresce o número de clientes das companhias aéreas que também buscam o combustível sustentável: as empresas aéreas para reduzir emissões diretas de Escopo 1 e os clientes corporativos para lidar com as emissões indiretas de Escopo 3.

Segundo o estudo, os objetivos dos dois grupos podem ser acelerados ao permitir que os Atributos Ambientais do SAF sejam negociados separadamente do combustível físico, na forma dos certificados ambientais. Um dos caminhos é o sistema de rastreamento conhecido como "book-and-claim" (registro e reivindicação). A adoção desse modelo permitiria que empresas atingissem metas de Escopo 3 — em viagens de negócios e embarque de carga aérea — por meio da compra de certificados, compartilhando o custo do SAF e ampliando o mercado para mais participantes da cadeia de valor. Para isso, seria necessário um sistema robusto de contabilidade e reivindicação que permita às empresas comprovar os benefícios de redução de emissões independentemente de onde o combustível seja entregue e consumido.

Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade e economista-chefe da IATA, afirmou em nota que o SAF é a alavanca de descarbonização mais importante da aviação, mas alertou que as companhias aéreas não podem arcar sozinhas com o custo de ampliar seu uso. "Os compradores corporativos têm uma oportunidade única de ajudar a construir o mercado SAF, contribuir para o custo da transição energética do transporte aéreo e se beneficiar de reduções de emissões reconhecidas no escopo 3 no processo", disse. Para Julien Manhes, vice-presidente de Desenvolvimento de Remoção de Combustíveis e Dióxido de Carbono para Aviação Sustentável da Airbus, a demanda corporativa é um catalisador poderoso e ainda inexplorado para a ampliação do SAF.

O levantamento mostra que a demanda downstream por certificados de Escopo 3 atingiu cerca de 323 mil toneladas em 2024 e pode crescer de três a seis vezes até 2030, chegando a entre 1,0 e 1,9 milhão de toneladas. O preço é o critério de decisão dominante: a US$ 150 a US$ 500 por tonelada de CO₂e evitada, os certificados de SAF estão entre as opções mais caras para tratar emissões de Escopo 3, contra cerca de US$ 15 a US$ 40 para remoções baseadas na natureza. A disposição a pagar relatada fica mais próxima de US$ 300 por tonelada. De acordo com o GBTA Foundation's Sustainability Acceleration Challenge de 2025, benchmark global de 285 programas de viagens corporativas, cerca de 15% das empresas compram certificados de Escopo 3 atualmente, 12% planejam começar em até um ano e 64% não compram nenhum.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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