Mendonça manda PT retirar anúncios e CUT apagar posts contra Flávio
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça proibiu neste domingo (11) a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de impulsionar anúncios que acusavam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) de ser contrário ao fim da escala 6x1. A decisão também determinou que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) remova cinco publicações contra Flávio feitas no Instagram.
No caso do PT, o partido publicou um vídeo no Facebook afirmando que "Flávio é contra a escala 6x1" e que o PL fazia "campanha pesada" contra a proposta. Anúncios pagos são permitidos pela legislação eleitoral, mas Mendonça entendeu que as peças foram usadas para propaganda negativa contra o senador. "A utilização de recursos financeiros para ampliar a difusão de mensagem predominantemente negativa contra candidatura adversária encontra vedação expressa na legislação eleitoral", afirmou o relator. O ministro determinou que a Meta, controladora do Facebook, desative os anúncios e apresente os valores pagos pelo PT.
Em outro processo, Mendonça ordenou que a CUT remova, em até três horas, cinco postagens contra Flávio publicadas no Instagram. Segundo o ministro, a legislação eleitoral proíbe propaganda eleitoral na internet em canais e perfis institucionais de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos. Ele destacou que, embora entidades sindicais tenham o direito legítimo de participar do debate público, o uso de canais institucionais para promover ou prejudicar candidaturas específicas configura conduta vedada pela Lei das Eleições e pelas resoluções do TSE.
A representação foi ajuizada após a divulgação de cinco conteúdos publicados entre 25 de setembro e 6 de outubro. A primeira publicação vinculava Flávio ao "Escritório do Crime" e a milícias, com montagens que incluíam fotos de Adriano da Nóbrega e referências à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. A segunda afirmava que, se eleito, Flávio congelaria aposentadorias e impediria o aumento do salário mínimo, encerrando com apelo explícito de voto. A terceira e a quarta sustentavam que o plano de governo do candidato do PL colocaria benefícios previdenciários em risco e que os brasileiros poderiam perder o Pix devido a pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A quinta associava o candidato à perda da folga semanal e ao fim das perspectivas de extinção da escala 6x1. Juntas, as postagens somavam mais de 29 mil curtidas e cerca de 4,5 mil comentários.
O mérito sobre a veracidade do conteúdo e a eventual aplicação de multas eleitorais será examinado após a defesa da CUT e a manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE). Em caso de descumprimento, Mendonça fixou multa diária de R$ 5 mil. O relator, por outro lado, negou o pedido da campanha de Flávio para proibir a CUT de veicular novas manifestações de natureza político-eleitoral no futuro. A decisão liminar segue para referendo do plenário do TSE.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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